Comunismo no Mundo, do Marxismo ao Bolivarianismo

Comunismo no Mundo, do Marxismo ao Bolivarianismo

Comunismo no MundoDoutrina e sistema econômico e social baseados na propriedade coletiva dos meios de produção. Tem como ideal a primazia do interesse comum da sociedade sobre o do indivíduo isolado.

A noção de comunismo surge na Antiguidade com Platão. Em A República, defende a propriedade comum dos bens para anular o conflito entre o interesse privado e o do Estado. Mas é no pensamento cristão que aparecem os primeiros ideais comunistas para toda a população. Esses ideais acompanham a civilização cristã na Idade Média e no Renascimento. Nos séculos XVI e XVII despontam as grandes utopias sobre o comunismo. Na obra Utopia (1515), do pensador e estadista inglês Thomas More, não há menção à propriedade comum; no entanto, a estrutura social proposta é um comunismo embrionário.

Comunismo marxista – O Manifesto do Partido Comunista (1848), dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels (1820-1895), afirma que o comunismo seria a etapa final da organização político-econômica humana. A sociedade viveria em um coletivismo, sem divisão de classes nem a presença de um Estado coercitivo. Para chegar ao comunismo, os marxistas preveem um estágio intermediário de organização, o socialismo, que instaura uma ditadura do proletariado para garantir a transição.

Governos comunistas
– Em 1917, durante a Revolução Russa, os bolcheviques, liderados por Lênin, introduzem a supressão da propriedade privada, a planificação econômica e a nacionalização de bancos e fábricas. Com a morte de Lênin, assume o político Josef Stálin, que extingue a oposição e fortalece o Estado, transformando-o em regime totalitário. Em 1921, a Mongólia transforma-se no segundo país comunista do mundo. Após a II Guerra Mundial, os países do Leste Europeu tornam-se comunistas depois de ser liberados do nazismo pelo Exército soviético. Em 1949, os comunistas liderados por Mao Tsé-tung tomam o poder na China. O sistema espalha-se por vários países do Sudeste Asiático (Coreia do Norte, em 1948; Vietnã do Norte, em 1954; Laos e Camboja, em 1975; e Vietnã do Sul, em 1976), da África (Congo, em 1970; Benin, em 1972; Guiné-Bissau, em 1974; Angola e Moçambique, em 1975; e Etiópia, em 1976) e Cuba, em 1959.

Na década de 70, já há indícios da crise do sistema político soviético, impulsionada principalmente pelo crescimento dos movimentos nacionalistas e pela dificuldade econômica. Em 1985, o presidente soviético Mikhail Gorbatchov dá início a um programa de reforma política, econômica e social (perestroika). A queda do Muro de Berlim marca o começo da extinção do regime comunista no Leste Europeu e provoca um conflito generalizado nos partidos comunistas, que, em sua maioria, abdicam de nome, programa e ideologia. Em 1991, a URSS desintegra-se e as ex-repúblicas soviéticas formam a Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Sobrevivem, contudo, os governos comunistas da Coreia do Norte, do Vietnã, de Cuba e da China. Com exceção do primeiro, que ainda é um regime bastante fechado, os demais países já adotam algumas medidas econômicas de mercado aberto.

Bolivarianismo na Venezuela - Bolivarianismo é um conjunto de doutrinas políticas que vigora em partes da América do Sul, especialmente na Venezuela. O termo provém do nome do general venezuelano do século 19 Simón Bolívar, que liderou os movimentos de independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. Convencionou-se, no entanto, chamar de bolivarianos os governos de esquerda na América Latina que questionam o neoliberalismo e o Consenso de Washington (doutrina macroeconômica ditada por economistas do FMI e do Banco Mundial).

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Luciano Mende