REGIÃO SUL

É formada pelos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. À exceção do norte do Paraná, onde predomina o clima tropical, o clima da região é o subtropical, responsável pelas temperaturas mais baixas registradas no Brasil durante o inverno. Na região central do Paraná e no planalto serrano de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o inverno costuma registrar temperaturas negativas, com ocorrência de geada e até de neve em alguns municípios. A vegetação acompanha a variação da temperatura: nos locais mais frios predominam as matas de araucária (pinhais) e, nos pampas, os campos de gramíneas. As matas de araucária, no entanto, estão reduzidas a apenas 2% da área original. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são reconhecidos pela qualidade de vida e têm, respectivamente, o primeiro, o terceiro e o quinto IDH do Brasil. A região apresenta os melhores indicadores de mortalidade infantil, educação e saúde do país e possui a segunda renda per capita, inferior apenas à do Sudeste.

Formação da população – Os imigrantes europeus começam a chegar no fim do século XIX e contribuem para o desenvolvimento da economia, baseada na pequena propriedade rural de policultura. Os índios já ocupavam a região na época do descobrimento; espanhóis e portugueses chegam com as missões jesuíticas; e os negros, com a escravidão. Italianos, eslavos e alemães se fixam no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, açorianos colonizam o litoral; alemães, a região norte; e italianos, o planalto e a porção oeste. No Paraná, fixam-se italianos, alemães e japoneses; mais recentemente, paraguaios na fronteira oeste. Entre 1920 e 1970 cai a imigração, mas melhora a qualidade de vida, o que aumenta a migração interna, sobretudo de paulistas e mato-grossenses, para as lavouras do norte do Paraná. A partir dos anos 1970, com o êxodo rural, as famílias começam a voltar para São Paulo. Com os projetos de colonização da Amazônia, do governo militar, principalmente paranaenses e gaúchos partem para Mato Grosso e Rondônia.

Festas e gastronomia – Algumas cidades do Sul ainda celebram as tradições dos antepassados em festas típicas, como a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), e a Oktoberfest, em Blumenau (SC), cópia da famosa festa de Munique, na Alemanha, recriada aqui para recuperar financeiramente a cidade catarinense, arrasada pelas enchentes em 1984. O fandango, de influência portuguesa e espanhola, é uma das danças que aparecem nas comemorações do Sul, assim como o pau-de-fita e a congada. O gaúcho aprecia o chimarrão e o churrasco. Ostras, camarão e pirão de peixe se destacam no litoral catarinense. No norte de Santa Catarina, o marreco é assado recheado com miúdos e, por influência germânica, acompanhado de repolho roxo. No Paraná, a culinária inclui o barreado, um cozido de carne.

Turismo – Durante o verão, as praias catarinenses são bastante procuradas por turistas. Florianópolis, depois do Rio de Janeiro e de Salvador, é uma das capitais brasileiras mais visitadas. São atrações também as Ruínas Jesuítico-Guaranis de São Miguel das Missões (RS) e o Parque Nacional do Iguaçu (PR), patrimônios da humanidade. As serras gaúcha e catarinense atraem turistas no inverno, que vêm aproveitar as baixas temperaturas. Em Cambará do Sul (RS), localiza-se o Parque de Aparados da Serra, onde fica o cânion do Itaimbezinho.

Ambiente – A região sul é a que mais sofre com enchentes, tufões (próximo ao litoral) e tornados (centro e oeste da região). Em janeiro e fevereiro de 2009 o Estado de Santa Catarina sofreu a maior catástrofe natural de sua história, devido ao excesso de chuvas, houve deslizamento das encostas dos morros que destruíram milhares de casas, deixando um saldo de mais de 200 mortos e o maior prejuízo econômico da história de Santa Catarina. Em Setembro e Outubro de 2009 foi à vez da região sofrer com vendavais e até mesmo com tornados, deixando cidades completamente arrasadas, principalmente no oeste de Santa Catarina. Segundo cientistas, a principal causa da intensidade desses fenômenos, está relacionado excesso de gases que prejudicam a camada de ozônio e , que, causam o efeito estufa, aumentando, assim a intensidade no encontro entre as massas de ar frias vindas do pólo sul com as massas de ar quente vindas dos trópicos, tornando a região Sul uma área de convergência entre as massas de ar, o que, ultimamente, se agravando.

Transportes – O Porto de Paranaguá (PR) é o principal terminal graneleiro do país. Na Região Sul, destacam-se ainda o porto de Rio Grande (RS), Itajaí e Imbituba (SC). O transporte rodoviário concentra o maior movimento da região. Duas rodovias federais são as principais artérias de transporte de cargas e passageiros: a rodovia BR-101, que liga Porto Alegre a Curitiba pelo litoral, passando por Florianópolis, e a rodovia BR-116, que liga Porto Alegre a Curitiba pelo interior, passando por Lages (SC). De Curitiba a São Paulo, as rodovias se fundem na Régis Bittencourt, conhecida como a rodovia da morte, por causa da grande incidência de acidentes.

Economia e energia – Situada na fronteira com Argentina, Paraguai e Uruguai, os principais parceiros do Brasil no Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Região Sul tem sua economia impulsionada na década de 1990. As crises nesses três países em 2002 e o colapso da energia no Brasil no ano anterior enfraquecem o Mercosul, e as exportações para esses parceiros despencam. Como nas outras regiões, o setor de serviços responde pela maior parte das riquezas dos estados sulistas. Depois dele vem a indústria – com destaque para os setores metalúrgico, automobilístico, têxtil e alimentício –, seguida pela agropecuária, que representa 14,4% das riquezas produzidas. Na Região Sul, detentora de quase metade de toda a produção nacional de grãos, cultivam-se milho, arroz, feijão, trigo e tabaco e é onde mais se produzem mel, alho, maçã e cebola. Como a soja tem grande importância na economia da região, a liberação do plantio de sementes transgênicas divide opiniões. Enquanto o Paraná quer manter-se como um produtor não transgênico, o Rio Grande do Sul já é disparado o estado que mais produz soja geneticamente modificada. A vegetação rasteira, típica da região, favorece a criação de rebanhos bovinos, em particular nos pampas gaúchos. Também é importante a criação de frango, porco e carneiro. A Região Sul possui ainda grande potencial hidrelétrico, destacando-se a Usina de Itaipu, localizada no rio Paraná, na fronteira do estado do Paraná com o Paraguai.

Urbanização – A mecanização da agricultura e a agroindústria favorecem a mudança de famílias do campo para a cidade. Na Região Sul, que apresenta os menores percentuais nas migrações internas do país, 80,90% da população vive em centros urbanos. A conseqüência imediata desse alto índice de urbanização é a formação de bolsões de miséria nas principais cidades da região. A grande pobreza atinge até mesmo parte da população de Curitiba, capital do Paraná, considerada um modelo mundial de cidade.

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