REGIÃO SUDESTE

É formada pelos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Situa-se na parte mais elevada do planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. O clima predominante no litoral é o tropical atlântico, e nos planaltos, o tropical de altitude, com geadas ocasionais. A mata tropical nativa que cobria o litoral foi devastada durante o povoamento, em especial nos séculos XVIII e XIX, no período de expansão do cultivo de café. Na serra do Mar, a dificuldade de acesso ajuda a preservar parte dessa mata. No estado de Minas Gerais predomina a vegetação de cerrado; no vale do rio São Francisco e no norte do estado encontra-se a caatinga. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. A maior usina é a de Urubupungá, localizada no rio Paraná, divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Encontram-se em Minas Gerais as nascentes de duas importantes bacias hidrográficas: a bacia do rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do rio São Francisco, que nasce na serra da Canastra.

Formação da população – A miscigenação do português com o índio começa no século XVI, época em que se formam as primeiras cidades, como São Vicente, São Paulo, Rio de Janeiro. O negro escravizado é trazido para a região e passa a contribuir para a formação da população. No fim do século XIX e começo do XX, o Sudeste recebe muitos imigrantes estrangeiros, principalmente italianos, japoneses, alemães, sírios e libaneses, para trabalhar nas lavouras de café. Já na segunda metade do século XX, chegam coreanos, que se instalam sobretudo na cidade de São Paulo. Desde a virada do século XIX para o XX, o Sudeste torna-se o principal destino de migração interna do país. Os nordestinos sempre foram o maior contingente que busca a região. Desde os anos 1980, o aumento do desemprego na indústria e as dificuldades econômicas estimulam um movimento contrário: muitas famílias retornam ao estado de origem. Ainda assim, segundo o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Sudeste foi a que mais cresceu entre 1991 e 2009.

População – O Sudeste é a região que concentra a maior população do país, somando cerca de 80 milhões de habitantes, que representam 42,6% do total. É também a região com a maior densidade demográfica (85,7 habitantes por quilômetro quadrado em 2009) e com o mais alto índice de urbanização: 90,5%. Abriga as duas mais importantes metrópoles nacionais – São Paulo e Rio de Janeiro. Com Belo Horizonte, as três formam as maiores regiões metropolitanas do país, reunindo 20% da população. O Sudeste responde pela maior parcela da riqueza do Brasil, mas também é a região que mais sofre com o desemprego e o crescimento da violência. Ainda assim, seus indicadores sociais são os melhores do país: o analfabetismo é de 7,5%, a água tratada chega a 88,3 % das casas e o lixo é recolhido em 90,3% das moradias. No Brasil, as médias desses índices ficam em 12,8%, 77,8% e 79%, respectivamente.

Festas populares e gastronomia – Várias festas populares celebradas no interior do Sudeste são de cunho religioso, como a Festa do Divino, os festejos da Páscoa e os dos santos padroeiros, com destaque para a peregrinação à Aparecida (SP), em especial no dia 12 de outubro, em que se comemora o dia de Nossa Senhora Aparecida. A congada (que evoca a coroação dos reis do Congo) é um folguedo, trazido pelos escravos, comum nos quatro estados da região, sobretudo no Espírito Santo. A cavalhada destaca-se em Minas Gerais; no Rio de Janeiro, o jongo e o bumba-meu-boi. Há ainda as grandes festas não religiosas, como o Carnaval e a queima de fogos no réveillon do Rio, as festas de peão de boiadeiro de São Paulo – das quais a mais importante é a de Barretos – e o Festival de Música de Inverno em Campos do Jordão (SP). A culinária do Sudeste guarda forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Em São Paulo, por exemplo, é difícil apontar um único prato típico. Além da comida caipira do interior e da cachaça de alambique, também representam a cozinha paulista pratos vindos com imigrantes de outros países, como a pizza e o sushi. No Rio são fortes a cerveja e a feijoada. Frango com quiabo, tutu de feijão e o feijão-tropeiro destacam-se no cardápio mineiro, sempre acompanhados de torresmo, couve e angu. Não podem faltar também o pão de queijo nem os doces caseiros. A moqueca capixaba, prato obrigatório no litoral do Espírito Santo, não leva azeite-de-dendê nem leite de coco. É um refogado de peixe, camarão, lagosta, siri ou marisco, temperado com coentro, cebola, alho, tomate, pimenta, limão, azeite de oliva e tintura de urucum. Acompanham arroz e pirão.

Turismo – Campeão em número de visitantes e em movimento de turistas, o Rio de Janeiro perde para São Paulo em faturamento, porque o turismo de negócios é maior na capital paulista. Guarapari e Itaúnas, praias de dunas do município de Conceição da Barra, estão entre as mais freqüentadas do litoral do Espírito Santo. Entre as mais procuradas do Rio estão as cidades litorâneas de Armação dos Búzios e Cabo Frio. Em São Paulo, as atrações incluem Campos do Jordão, estância de inverno na serra da Mantiqueira, praias do litoral norte, como as dos municípios de São Sebastião e Ubatuba, e as reservas ambientais no sul, com praias selvagens e cavernas. Em Minas, destaca-se o ecoturismo, como no Parque Estadual de Ibitipoca e na serra da Canastra, além das cidades históricas do ciclo do ouro. São importantes ainda os patrimônios naturais e históricos da humanidade: Ouro Preto (MG), o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos (MG), o Centro Histórico de Diamantina (MG) e as reservas de mata Atlântica, na costa do descobrimento (ES/BA) e no litoral de São Paulo.

Transportes – O Sudeste tem a melhor logística de transportes do país: ali estão as maiores redes ferroviária e rodoviária e os mais movimentados portos e aeroportos do Brasil. A privatizada rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio, é o principal corredor brasileiro de cargas e passageiros, assim como a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Também expressiva é a Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte. Com suas principais rodovias estaduais privatizadas (Bandeirantes, Anhangüera, Castello Branco, Raposo Tavares, Ayrton Senna, Anchieta e Imigrantes), São Paulo tem a maior malha asfaltada, as melhores estradas, o maior número de pedágios e também as mais altas tarifas do país. Entre as hidrovias, a principal é a Tietê-Paraná, ligando São Paulo ao Paraná, no Sul, e a Mato Grosso, no Centro-Oeste. Apesar da privatização, a malha ferroviária ainda é pouco utilizada para grandes distâncias. O maior movimento é o de transporte de passageiros em trens e metrôs nas regiões metropolitanas. Entre os principais portos estão o de Santos, o mais importante em valor de carga importada e exportada, São Sebastião, em São Paulo; os do Rio de Janeiro, de Sepetiba, de Angra e de Niterói, no Rio; e os de Vitória e de Tubarão, no Espírito Santo.

Economia e energia – Movimentada pelas maiores montadoras e siderúrgicas do país, a produção industrial da região é diversificada e de ponta. Com o maior parque industrial do Brasil, o Sudeste responde por 55,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2011. É também a região mais urbanizada, com nove em cada dez habitantes vivendo em cidades. Os serviços e o comércio são o principal ramo de atividade e representam 61,1% da riqueza da Região Sudeste; a indústria, 39,1%; e a agropecuária, 4,9%. No fim dos anos 1990, percebe-se relativa queda de investimentos no setor industrial, sobretudo no metalúrgico, em virtude dos incentivos fiscais oferecidos por outras regiões, e principalmente pela recessão do fim da década e pela grave crise de energia de 2001, quando os reservatórios das hidrelétricas atingem níveis baixos e o governo federal determina um racionamento. Em 2002, o nível dos rios se recupera, mas a economia continua a patinar nos anos seguintes. Segundo a Fundação Seade, a região metropolitana de São Paulo, o maior parque industrial brasileiro, fecha 2003 com 19,9% de trabalhadores sem emprego. O quadro começa a melhorar em 2004, com o índice de desemprego caindo para 17,9% no mês de setembro. A recuperação da economia é puxada principalmente pelo aquecimento do setor industrial, que até setembro acumula crescimento superior a 20%.A agricultura demonstra elevado padrão técnico e boa produtividade. A produção de café, laranja, cana-de-açúcar e frutas está entre as mais importantes do país. O Sudeste explora também sua riqueza mineral. No estado de Minas Gerais destaca-se a exploração de numerosa variedade de minérios – em especial as reservas de ferro e manganês na serra do Espinhaço. Da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, sai a maior parte do petróleo brasileiro. A descoberta de novas reservas petrolíferas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro movimenta a indústria local, que apresenta o maior crescimento do país em 2010 e 2011.

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