CONFLITOS E GUERRAS NO ORIENTE MÉDIO

A presença das forças de ocupação no Iraque provoca profundo impacto nos países vizinhos, reordenando as relações políticas e econômicas. Algumas centenas de quilômetros a leste, a Palestina vê nos últimos anos o aumento da ação dos grupos armados, enquanto o governo de Israel endurece suas posições. O conflito por território entre palestinos e israelenses teve início logo após a criação do Estado de Israel, em 1948. A morte, em novembro de 2004, de Yasser Arafat, que liderava há décadas a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), mexe nas possibilidades de um acordo entre Israel e os palestinos. Logo após sua morte, a OLP nomeou o ex-primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen) para dirigir a entidade, e Abbas elegeu-se em janeiro de 2005 presidente da Autoridade Nacional Palestina (AP), com larga margem de votos. Outra importante liderança é o primeiro-ministro da AP, Ahmed Korei, o principal negociador palestino nos acordos de Oslo (1993). Esses acordos levaram à criação da Autoridade Nacional Palestina (1993), determinaram a primeira retirada de tropas israelenses dos territórios ocupados (1994) e estabeleceram três áreas distintas dentro da Cisjordânia. Eles provocaram ainda forte reação na direita israelense, e, em 1995, o então primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, foi morto por um radical direitista israelense.Tanto Abbas quanto Korei não possuem o carisma de Arafat para conduzir os palestinos. Mas, paradoxalmente, a ausência de Arafat pode facilitar a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos, porque ele era considerado um obstáculo por Washington e Tel-Aviv. Os Estados Unidos (EUA) propõem a criação de um Estado palestino, conforme o plano de paz chamado de "mapa da estrada", apoiado pela Federação Russa, União Européia e Organização das Nações Unidas (ONU). O "mapa da estrada" foi aceito por Israel e pela AP, mas nunca foi colocado em prática. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, isolou durante dois anos Yasser Arafat. Até sua morte, o presidente da AP ficou confinado em seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia, como um virtual prisioneiro do governo israelense. O isolamento não foi apenas físico, mas político. Acusado de radical pelo governo israelense, também era criticado por palestinos. Os líderes do al-Fatah (braço armado da OLP) afirmavam que Arafat não era capaz de conter a repressão israelense, criticavam-no por não fazer reformas na AP e acusavam-no de corrupção. Nesse contexto, cresceu a atuação dos grupos extremistas Hamas e Jihad Islâmica.A eleição do líder moderado Abbas como presidente da AP traz certo otimismo, mas há muito por fazer para que israelenses e palestinos voltem a negociar. Desde fevereiro de 2001, quando Sharon assumiu como primeiro-ministro de Israel, a espiral de violência só cresceu. Usando como argumento os constantes atentados, Israel iniciou a construção de uma muralha de concreto que isola cidades e vilas palestinas. O primeiro trecho do muro, com 147 quilômetros (do total de 350), foi concluído em agosto de 2004. Paralelamente, o governo israelense inicia a retirada de colonos judeus da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Entre os grandes impasses entre israelenses e palestinos estão o chamado direito ao retorno para os centenas de milhares de palestinos (e seus descendentes) deslocados de sua casa pela formação do Estado de Israel e pelo status de Jerusalém, cidade que cristãos, judeus e muçulmanos consideram sagrada. Israel tem ainda atritos com a Síria, que propõe aos israelenses a volta das negociações sobre a retirada de suas tropas das Colinas de Golã, tomadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias (1967). Mas o governo israelense resiste, acusando a Síria de abrigar organizações terroristas do Líbano, como o Hezbollah. Segundo Israel, esse grupo recebe foguetes diretamente do Irã.

Instabilidade

A insegurança e a instabilidade afetam também outros países da região. Os EUA mantêm as acusações de que o Irã é uma ameaça nuclear. O governo norte-americano acusa o país de tentar produzir o gás usado na fabricação de bombas atômicas e de procurar colocar ogivas nucleares em seus mísseis. Pela força da pressão diplomática e econômica, porém, o Reino Unido, a França e a Alemanha conseguem a promessa do governo iraniano de cancelar seu programa nuclear. Já na Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, o regime absolutista enfrenta uma onda de ataques organizada por militantes ligados à Al Qaeda, que explora o descontentamento popular com a colaboração militar entre o regime saudita e os EUA. O governo saudita responde, em dezembro de 2004, com um pacote de medidas antiterror.

LUCIANO MENDE Farias