EXPLORAÇÕES GEOGRÁFICAS DA ANTIGUIDADE A ATUALIDADE

EXPLORAÇÕES GEOGRÁFICAS DA ANTIGUIDADE A ATUALIDADE Explorações geográficas da Antiguidade a Atualidade

Desde os tempos mais remotos a humanidade procurou conquistar  territórios e ampliar seus horizontes geográficos. A partir da bacia do Mediterrâneo, pode-se acompanhar, ao longo da história da humanidade, a lenta ampliação dos conhecimentos geográficos.

Explorações geográficas são investigações de qualquer parte da Terra com finalidades científicas, econômicas ou militares. No Ocidente, geralmente o termo refere-se ao conjunto das explorações realizadas a partir da perspectiva do europeu. Os motivos que levam os homens a explorar o meio variam segundo a época e lugar, desde a mera curiosidade até a busca de novos mercados e a conversão religiosa de outros povos, como ocorreu com Portugal, Espanha, França e Inglaterra, a partir do Renascimento, até a indagação científica com finalidades ecológicas, como é o caso das viagens de grupos multidisciplinares à Amazônia ou à Antártica.

Antiguidade

O horizonte geográfico dos antigos egípcios era bastante restrito, em virtude do isolamento em que permaneceram durante séculos no vale do Nilo. Apenas algumas de suas expedições militares alcançaram a Síria, a Anatólia e a Mesopotâmia e, para oeste, o deserto da Líbia.

Os fenícios, mercadores e marinheiros, expandiram extraordinariamente esse horizonte. Impelidos pela necessidade, lançaram-se à conquista de rotas marítimas e fundaram entrepostos ou pontos de escalas para suas transações comerciais. Viajando sempre com o litoral à vista, pois não dispunham de meios para orientar-se em alto-mar, percorreram toda a bacia do Mediterrâneo e do mar Negro, ultrapassaram o estreito de Gibraltar e alcançaram a Grã-Bretanha. Para o sul e este, visitaram o país de Ofir, a que se refere o Antigo Testamento (identificado por alguns com a Índia, por outros com as costas orientais da África), e teriam contornado o continente africano, no século VI a.C., a serviço do governo egípcio.

Somente de maneira muito indireta, entretanto, se pode ter conhecimento de tais viagens, uma vez que, para evitar a concorrência, guardava-se na época completo sigilo sobre elas. Quanto às viagens do cartaginês Hanon, realizadas no século V a.C., os informes são mais concretos, pois sabe-se que visitou a costa atlântica do Marrocos e o golfo da Guiné.

A expansão helênica abriu novas perspectivas para o melhor conhecimento do mundo antigo. Ao contrário dos fenícios, os gregos realizaram sólida obra de colonização. Transplantaram sua cultura e suas instituições para regiões, a princípio vizinhas, como as ilhas e a costa do mar Egeu e, logo a seguir, mais afastadas, como as do Ponto Euxino, do mar Negro e da Magna Grécia (sul da Itália e Sicília), e atingiram posteriormente pontos mais longínquos, como o litoral da Ibéria, geograficamente descrito pela primeira vez por Estrabão (século I).

Após as guerras entre medos e persas, a influência helênica estendeu-se até a fronteira da Índia e ao norte da África - regiões que se tornaram bem conhecidas, especialmente após as campanhas de Alexandre o Grande. Sabe-se, assim, que Nearco percorreu o oceano Índico, da foz do Indo até o golfo Pérsico, reconhecendo a configuração do grande golfo e, em consequência, a natureza peninsular da Arábia.

Posteriormente, Pátroclo, sob o reinado de Seleuco Nicator, visitou a Índia e percorreu as costas meridionais do mar Cáspio. Megástenes, como embaixador do mesmo monarca, conheceu a região do Ganges e a ilha Taprobana (Ceilão, hoje Sri Lanka). Acredita-se, ainda, que Píteas, no século IV, tenha alcançado o norte da Europa, à procura da lendária Tule, identificada modernamente com a Islândia.

Os romanos notabilizaram-se pela conquista do interior, pois dominaram quase toda a Europa ao sul do Reno e do Danúbio e estenderam suas conquistas ao norte da África e Oriente Médio. Ao contrário das colônias gregas, fenícias ou cartaginesas, que eram independentes, as regiões conquistadas tornaram-se províncias de Roma, a ela ligadas não apenas pelos laços culturais, mas também por vínculos administrativos. Tal circunstância levou a um melhor conhecimento dessas regiões, ligadas por boa rede de estradas, que se transformaram em importantes rotas de comércio.

No término da Idade Antiga, eram mais ou menos esses os limites do mundo conhecido pelos povos do Mediterrâneo: ao norte, as ilhas Britânicas e o rio Elba; ao sul, o Saara; a este, a Índia e, a oeste, o oceano Atlântico.

Explorações Geográficas na Idade Média

Os bizantinos, por sua posição no Mediterrâneo oriental e pela proximidade com relação aos países habitados pelos eslavos (russos e varegos), entraram em contato com tais povos e obtiveram um conhecimento muito grande de suas terras, especialmente após as missões de são Cirilo e são Metódio, no século IX.

O horizonte geográfico dos bizantinos, entretanto, era menos extenso que o dos árabes, que conheciam na época muitas regiões da África (Sudão, costa do Índico), e tinham alcançado as ilhas de Sonda, na Malásia. Em sua expansão, os árabes assimilaram quase toda a tradição cultural dos gregos e dos romanos. Por intermédio deles a Europa absorveu os antigos conhecimentos geográficos dos gregos, mais adiantados do que os seus.

A literatura árabe reflete, às vezes de forma meio fantástica, a extensão do comércio marítimo realizado por esse povo, como no relato das viagens de Sindbad, o marujo; ou de forma mais precisa, como na descrição geral do mundo, levada a efeito no século XII por Edrisi, e os relatos do viajante Ibn Batuta (século XIV), que atestam a superioridade dos conhecimentos geográficos muçulmanos sobre os dos cristãos, na época em que se esboçavam os primeiros movimentos da expansão ultramarina européia.

Igualmente importantes foram as explorações realizadas pelos viquingues ou normandos, nos séculos X e XI. Hábeis marinheiros, aventuraram-se pelas águas do Atlântico norte, visitaram a Islândia (Terra do Gelo) e a Groenlândia (Terra Verde) e, provavelmente, o nordeste da América do Norte, a que chamaram Vinland (Terra da Vinha), de maneira particular a Terra Nova, o Labrador e a Nova Escócia. Mas dessas viagens ficaram apenas tradições, como a de Eric o Ruivo e seu filho Leif Ericsson, que teriam visitado as terras americanas cinco séculos antes da descoberta de Colombo.

Em direção ao Extremo Oriente, o comércio e a propagação da fé foram os grandes fatores da expansão do conhecimento geográfico. As fabulosas riquezas que chegavam do Oriente com os mercadores árabes e as notícias trazidas pelos cruzados levaram muitos viajantes europeus aos extremos orientais da Ásia, do que resultou um conhecimento maior da China e do Japão.

Na segunda metade do século XIII, Nicolau e Maffeo Polo, mercadores venezianos, conseguiram chegar até Cambaluc (atual Pequim, Beijing), onde Marco Polo, filho do primeiro, permaneceu durante vinte anos, regressando pelo Índico. Em seu Livro das maravilhas, ele transmitiu aos europeus valiosas informações a respeito da China setentrional (Catai) e do Japão (Cipango).

Descobrimentos da Idade Moderna

Graças aos progressos verificados na arte de navegar (sobretudo a invenção da bússola), à difusão das obras geográficas dos antigos (notadamente as de Ptolomeu) e à atração que exerciam as riquezas do Oriente, assistiu-se no decorrer do século XV a uma verdadeira revolução nos conhecimentos geográficos dos europeus. Sobrevieram os descobrimentos marítimos, motivados pela necessidade de novas rotas para o Oriente, uma vez que as potências muçulmanas intervinham com freqüência no comércio com a Índia.

Coube aos navegadores portugueses iniciar essa expansão do horizonte geográfico, graças à qual se alargou consideravelmente a área conhecida do globo. Sob o impulso do infante D. Henrique, vários navegadores prepararam o caminho para os feitos de Bartolomeu Dias e de Vasco da Gama.

O reconhecimento do litoral atlântico da África pelos portugueses levou mais de meio século, pois, alcançado o cabo Bojador em 1434, só em 1487 Bartolomeu Dias atingiu o extremo meridional do continente, no atual cabo da Boa Esperança (chamado, na época, cabo das Tormentas). Dez anos mais tarde, Vasco da Gama atingiu o objetivo final das navegações, ao alcançar Calicut, na costa de Malabar (Índia), em 1498.

Nesse movimento de expansão marítima portuguesa destacaram-se ainda João Gonçalves Zarco, Tristão Teixeira, Diogo de Silves, Gonçalo Velho Cabral, na área da Madeira, de Porto Santo e dos Açores; Gil Eanes, no cabo Bojador; Nuno Tristão, no cabo Branco; Álvaro Fernandes, na costa da Guiné e da Serra Leoa. Após a morte de D. Henrique, continuaram a exploração do litoral, por ordem de D. Afonso V e, depois, de D. João II: Pedro de Cintra e Fernão Gomes, no grande arco do golfo de Guiné; e Diogo Cão, que descobriu a foz do rio Zaire (Congo) e o cabo de Santa Maria (1482) e, depois (1485), o cabo Negro e o cabo Padrão (hoje cabo Cross), até chegar à serra Parda, a 22o 10' de latitude sul. Numa segunda viagem, penetrou pelo rio Congo e percorreu-o até seu limite navegável. 

A partir de fins do século XV, e início do século XVI, a América delineou-se aos olhos europeus. Em suas quatro viagens, Cristóvão Colombo visitou as Antilhas (1492), a parte continental da América Central e o litoral venezuelano. Nos últimos anos do século XV, João Caboto explorou o Labrador e a Terra Nova. Os irmãos Corte Real também ali estiveram, e Pedro Álvares Cabral tocou a costa do Brasil em Porto Seguro, atual estado da Bahia.

Aos espanhóis deve-se o descobrimento da península de Yucatán, da Flórida (Ponce de León), do istmo de Panamá (Vasco Núñez de Balboa), do estuário do Prata (Díaz de Solís), do planalto do México (Hernán Cortés), do Peru (Francisco Pizarro) e do Chile (Diego Almagro), no período que vai de 1515 a 1532. Pouco depois, o francês Jacques Cartier descobriu o baixo Canadá e o inglês Walter Raleigh desembarcou nas costas da Virgínia (Estados Unidos).

Ainda no século XVI realizaram-se as primeiras viagens de circunavegação, a primeira das quais levada a efeito por Fernão de Magalhães, português a serviço do governo espanhol. Tendo partido da Espanha em 1519, percorreu a costa atlântica da América do Sul, descobriu a Terra do Fogo e o estreito que tomou seu nome, e atravessou toda a Polinésia pelo Pacífico. Morreu assassinado em 1521 no arquipélago das Filipinas. Seu companheiro, Juan Sebastián Elcano, completou a viagem e regressou à Espanha em 1522, pelos oceanos Índico e Atlântico.

A expansão ultramarina européia durou mais de um século e abriu novas perspectivas à vida econômica mundial. Os descobridores, conquistadores e colonizadores realizaram uma política colonial bastante diversa de país para país, mas que em todos os casos, assegurou, pelo menos até o século XIX, a íntima dependência das regiões conquistadas às respectivas metrópoles.

Durante o século XVII ampliaram-se os conhecimentos acerca dos continentes explorados anteriormente. Na América, exploraram-se o mar de Hudson, a bacia do Mississippi, a planície amazônica e parte do interior brasileiro. Na Ásia, os russos conquistaram a Sibéria. Na Oceania, os holandeses descobriram a Austrália, a Tasmânia e a Nova Zelândia. Foi no século seguinte, entretanto, que se percorreu o "mar do Sul" (como originalmente Balboa chamou o Pacífico) em todas as direções.

Com o século XVIII iniciou-se a era das grandes explorações científicas. Na área do Pacífico destacaram-se, entre outros, os nomes dos franceses Louis Antoine de Bougainville e Jean-François de La Perouse e, sobretudo, do inglês James Cook.

Em sua primeira viagem (1768-1771), realizada com o intuito preliminar de observar a passagem de Vênus nas ilhas do Taiti, feita a observação astronômica, Cook reconheceu as ilhas que, em honra da Real Sociedade Científica de Londres, denominou ilhas da Sociedade. Dirigiu-se depois para o sul, e descobriu uma das ilhas do grupo Tubuai; desviou-se para o noroeste, e alcançou a Nova Zelândia. Contornou toda a ilha do Norte e passou pelo estreito que ganhou seu nome; fez o mesmo com a ilha do Sul, demonstrando que a Nova Zelândia não pertencia ao continente austral. Continuou para o Ocidente, chegou à costa leste da Austrália, de onde seguiu até a grande barreira de recifes de Queensland. Com essa viagem, reconheceu-se a natureza insular da Nova Guiné.

A exploração das regiões polares foi a meta da segunda viagem (1772-1775). Cook partiu da Cidade do Cabo e orientou-se para o sul, até alcançar 67o de latitude sul; após numerosas tentativas para romper os gelos, retrocedeu para a Nova Zelândia e o Taiti. Numa segunda tentativa atingiu 71o. Na viagem de regresso, passou pela ilha da Páscoa e pelas Marquesas, descobriu a Nova Caledônia, algumas ilhas meridionais do grupo das Fidji, a Geórgia do Sul e o arquipélago de Sandwich (Havaí), de onde voltou à Inglaterra. Na terceira viagem (1776-1779), preocupou-se em descobrir a passagem do noroeste, na América setentrional. Explorou a costa canadense e atingiu o mar de Bering.

Explorações na América

No início do século XVIII iniciaram-se no Brasil as expedições dos bandeirantes, que partiram do planalto de São Paulo e percorreram vastas regiões do interior à procura de minas de ouro, afinal encontradas em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso; simultaneamente, surgiram fazendas de criadores de gado no vale do São Francisco e interior do Nordeste, e missões jesuíticas estabeleceram-se ao longo do rio Amazonas. De todas essas penetrações brasileiras praticamente nada resultou do ponto de vista do conhecimento geográfico das regiões percorridas, pois delas não ficaram relatórios, nem mapas, e seus itinerários são hoje reconstituídos com grande margem de insegurança.

Foi graças a essas explorações, entretanto, que Portugal garantiu a posse de imensos territórios, quando, em 1750, pelo Tratado de Madri, e com base no princípio de uti possidetis, foram demarcadas as fronteiras entre a América portuguesa e a América espanhola.

Mais proveitosas foram as expedições realizadas na porção norte do continente americano, especialmente na antiga América francesa, com as viagens comandadas por Louis Jolliet, Jacques Marquette e René-Robert Carelier, Senhor de La Salle, que exploraram o rio São Lourenço, a região dos Grandes Lagos e o vale do rio Mississippi.

Também importante foi a expedição enviada à América espanhola pela Academia de Ciências de Paris, com o objetivo de medir o arco do meridiano no equador e da qual participou Charles-Marie de La Condamine. Esse cientista permaneceu no atual Equador de 1736 a 1743, descendo depois o curso do Amazonas. A ele se devem, entre outras, a descoberta das propriedades da borracha e da quina e os primeiros estudos sobre a ligação do Negro-Orinoco. Pouco depois, a expedição de Alexander Humboldt à América do Sul contribuiu para desvendar à ciência um dos maiores campos de pesquisa, exaustivamente explorados no decorrer do século XIX.

Explorações na época contemporânea

Nos séculos XIX e XX, os continentes, embora desvendados em suas linhas gerais, ainda apresentavam muitas regiões inexploradas. As explorações que se realizaram, ao iniciar-se a época contemporânea, ao lado de seu interesse científico, tiveram muitas vezes caráter político-militar, a fim de atender às necessidades da expansão colonial. O continente africano e as regiões polares constituíram os principais objetivos das expedições, embora também tivesse sido ampliado o conhecimento a respeito de outros continentes.

É o caso, por exemplo, da América do Sul, mais particularmente do Brasil. A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, com o ato de abertura dos portos assinado pelo então príncipe-regente D. João (futuro D. João VI), pôs fim ao longo período de isolamento em que vivera a colônia. A partir daquele ano, a atração exercida pela natureza tropical sobre os estudiosos de história natural, fez orientar-se para o Brasil o interesse dos cientistas dos países mais avançados.

Vieram ao Brasil diversos sábios alemães, como Karl Friedrich Phillip von Martius, Johann Baptist von Spix, Wilhelm Ludwig von Eschwege, o príncipe Maximilian Zu-Wied, Hermann Burmeister, Johann von Natterer, Johann Emanuel Pohl, Karl Von den Steinen; franceses como Auguste-François-César Provençal de Saint-Hilaire e Henri Anatole Coudreau; ingleses como John Mawe, Henry Walter Bates e Alfred Russell Wallace e, posteriormente americanos, como Louis Agassiz (embora de nacionalidade suíça), Charles Frederick Hartt e Orville Derby. A eles se devem os mais variados estudos nos domínios da botânica, da zoologia, da geologia, da mineralogia, da etnografia e da lingüística, por meio de obras valiosas que, pela primeira vez desde o descobrimento, retratavam o Brasil do ponto de vista científico.

As expedições dirigidas, a partir de 1898, por Cândido Rondon, incorporaram ao Brasil áreas totalmente desconhecidas, integraram na civilização milhares de indígenas e propiciaram também valiosos estudos científicos.

Se bem que conhecida em sua periferia, a África continuava a ser o "continente misterioso". Suas quatro grandes bacias fluviais -- Nilo, Níger, Congo e Zambeze -- constituíam verdadeiras incógnitas. Ao terminar o século XIX, todas haviam sido percorridas por exploradores, entre os quais dois se tornaram célebres: David Livingstone e Henry Morton Stanley.

Também a Oceania e particularmente a Austrália tornaram-se mais conhecidas, assim como os grandes maciços e planaltos da Ásia central, onde a conquista do Himalaia, no qual se encontra o ponto culminante do planeta, desafiou os exploradores durante mais de um século, pois só foi escalado por Edmund Percival Hillary e Tenzing Norgay em 1953.

Na Ásia destacaram-se Régis Evariste Huc que, em 1846, penetrou até Lhasa, e o general russo Nikolai Mikhailovitch Prjevalski, que atravessou o Tibet, vindo do nordeste da Ásia. Ainda nessa mesma região estiveram, Henrique de Orléans, Pierre Gabriel Edouard Bonvalot, numa série de expedições que culminaram com as viagens de Sven Anders Hedin. Outros exploradores, especialmente Fernando de Richthofen, percorreram e estudaram a China e a Manchúria.

Explorações polares

A segunda metade do século XIX assinala também a intensificação das viagens nas regiões polares. Descobriram-se as passagens do noroeste e do nordeste, alcançaram-se ambos os pólos terrestres e passou-se a ter um conhecimento maior do arquipélago ártico e do vasto continente antártico.

A costa oriental da Groenlândia, bloqueada constantemente por gelos, foi alcançada pela primeira vez por William Scoresby, em 1822, ao qual se seguiram Edward Sabine, em 1823, e o dinamarquês Wilhelm Augustus Graah, entre 1828 e 1831. Uma expedição alemã, realizada posteriormente, entre 1869 e 1870, alcançou 77o de latitude norte. Deve-se a Fridtjof Nansen a primeira travessia da ilha, em 1888.

Meio século antes, James Clark Ross havia descoberto o pólo norte magnético (1831); Robert John Le Mesuries MacClure, em 1850, descobrira a passagem do noroeste e Nils Adolf Erik Nordenskjöld investigara a passagem do nordeste (1879). Em 1891, Robert Edwin Peary iniciou as explorações que lhe deram a prioridade incontestável de haver atingido, em 1909, o pólo norte.

A partir de 1880, tiveram início as explorações pelo ar. As tentativas feitas com o emprego de balões fracassaram. O primeiro êxito verdadeiro só foi alcançado quando, graças às idéias do conde Ferdinand von Zeppelin, os balões transformaram-se em dirigíveis seguros, o que permitiu, posteriormente, as expedições de Roald Amundsen e de Umberto Nobile.

A região antártica começou a despertar a atenção da Europa logo após a viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães. Supunha-se que a Terra Australis era um vasto continente, que se prolongava desde o extremo norte da Austrália até o pólo e que continuava até perto do sul da América e da África. Em 1642, Abel Janszoon Tasman realizou uma viagem em torno da Austrália e demonstrou que ela não fazia parte da região antártica. Entre 1772 e 1775, James Cook cruzou pela primeira vez o círculo antártico. Depois, empregou anos em explorar o Pacífico sul, encontrando apenas algumas ilhas. Cook não conseguiu descobrir a região antártica e a opinião geral se modificou. Passou-se a acreditar que não havia aí continente algum, mas unicamente grandes blocos de gelo flutuantes. As expedições subseqüentes principiaram 34 anos mais tarde, em 1838.

Após várias tentativas inglesas e russas, os Estados Unidos enviaram uma expedição que descobriu os territórios hoje denominados Terra de Adélia, Terra de Kemp, Terra de Enderby e Terra de Wilkes. Em 1841, a expedição inglesa de James Ross avançou mais por águas abertas e descobriu a Terra da Vitória. O navio inglês Challenger cruzou o círculo antártico em 1874 e foi o primeiro barco a navegar naquelas águas.

Robert Edwin Peary atingiu o pólo norte quando Amundsen se preparava para essa conquista, o que fez com que este transferisse suas ambições para o pólo sul. Roald Amundsen, entretanto, foi o primeiro homem que conseguiu chegar aos dois pólos: ao pólo sul, em 1911, e ao pólo norte, em 1926, no primeiro avião a sobrevoar aquela região.

Uma vez descobertos os dois pólos, iniciou-se uma série de explorações mais completas, especialmente no sul, que buscavam conhecer de maneira geograficamente exata, as regiões imensas e desoladas da Antártica.

Em 1928, George Hubert Wilkins dirigiu a primeira expedição aérea que obteve êxito, e descobriu novas terras. Richard Evelyn Byrd, dirigiu-se para o pólo sul (1928-1930), e estabeleceu na região antártica uma base a que denominou Little America e, daí, voou sobre o pólo. Posteriormente, realizou outras explorações naquela mesma região.

As explorações na região antártica, entre as quais merece destaque a de Finn Ronne, em 1947 e 1949, demonstraram que sua superfície, na qual se encontram extensas zonas montanhosas, era menor do que se julgava, mas ainda assim maior do que a Europa.

Conhecidas suficientemente as regiões polares, já não é apropriado falar em explorações. O que passou a  ocorrer foram investigações, com vistas a um melhor conhecimento da biologia marinha local e ao aproveitamento comercial e militar das regiões investigadas.

No tocante à navegação, a zona ártica tornou-se privilegiada para submarinos de propulsão nuclear, capazes de percorrer a bacia polar acobertados pelos gelos da superfície. A primeira travessia desse tipo foi realizada em 1958 pelo Nautilus, submarino americano.

A importância estratégica das paragens árticas, comprovadas durante a segunda guerra mundial, cresceu com o desenvolvimento da aviação, da propulsão nuclear submarina e dos mísseis. Paralelamente,  procurou-se incrementar o aproveitamento dos recursos econômicos das áreas polares. É no mar que se concentra a exploração dessas áreas geladas: recolhimento de plâncton e pesca de baleias, esta sob controle de uma comissão internacional, são as principais atividades econômicas a registrar na Antártica. Quanto aos recursos minerais, até o final do século XX muito pouco do continente havia sido explorado, muito embora o solo antártico registre a presença de diversos minerais de interesse econômico, entre eles cobre, urânio e carvão.

Fonte: www.megatimes.com.br

Luciano Mende