CONFLITOS NO MUNDO GLOBALIZADO

A crescente desigualdade entre países, regiões e indivíduos e a intensa competição econômica internacional – resultantes da globalização – são apontadas por estudiosos como fatores que aumentam as tensões em muitas sociedades, agravando o risco de conflitos violentos. Situações de grande insegurança, marcadas por desemprego agudo e estagnação econômica, podem levar grupos a reforçar seus laços tradicionais de solidariedade em torno da língua, religião e identidade étnica. Se, por um lado, esses laços ajudam os indivíduos a enfrentar a sensação de desamparo no ambiente competitivo, por outro, a ênfase nos vínculos étnicos pode estimular o preconceito, a intolerância e a hostilidade contra aqueles que não fazem parte do grupo. Há situações em que a presença de um poder central forte, como havia na extinta União Soviética (URSS), mantém esses movimentos abafados. Como em uma panela de pressão defeituosa, a tensão acumulada por sucessivas gerações, diante de mudanças profundas no cenário geopolítico, pode explodir com fatos de pouca importância. Há estudos que associam a disseminação dos conflitos étnicos a partir da década de 1990 ao fracasso da democratização política em países da Ásia, África e América Latina, além da desagregação da União Soviética. Em muitas nações, o colapso de regimes autoritários deu origem a governos fracos, que não conseguiram resolver os problemas sociais e econômicos herdados do passado.

Luciano Mende