Afeganistão | História e Geografia do Afeganistão

Afeganistão | História e Geografia do Afeganistão

Afeganistão | História e Geografia do Afeganistão

Situado na Ásia central, o montanhoso território do Afeganistão é uma das encruzilhadas do mundo. Para lá convergem as rotas entre o Oriente Médio e o Extremo Oriente, assim como entre o centro e o sul do continente asiático. Essa situação ajuda a explicar por que, ao longo de sua história, o país foi ocupado por sucessivas civilizações e por que somente no século XX ele conquistou a independência.

O Afeganistão ocupa uma área de aproximadamente 652.225km2. Estende-se do rio Amu Daria, ao norte, até o deserto do Riguestão, ao sul, e da meseta de Pamir, a leste, às depressões das estepes do lago Namakzar e de Sistan, a oeste. O país não tem saída para o mar. Limita-se ao norte com as repúblicas de Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão, a nordeste com a China, ao sul e a leste com o Paquistão e a oeste com o Irã.

Geografia física. O relevo do Afeganistão é dominado por um complexo montanhoso margeado por mesetas. Nas zonas mais elevadas, o sistema compõe-se de materiais que datam do pré-cambriano, quando surgiram os primeiros sinais de vida sobre a Terra. Nas encostas e vales, encontram-se materiais sedimentares.

A leste, onde os picos alcançam 7.600m de altitude, o complexo toma o nome de Hindu Cush e, após formar a fronteira com o Paquistão, volta-se para o oeste e cruza o centro do país com uma série de profundas ravinas e elevações intermitentes, perdendo altitude pouco a pouco. Ao norte, a cadeia principal atinge seis mil metros de altitude. A oeste, apresenta uma série de ramificações, como a cadeia de Paghman (4.720m), enquanto a cordilheira principal continua com diferentes nomes ao longo de diversos montes, perdendo altitude na direção noroeste até alcançar o vale do Harirud.

Em torno do Hindu Cush, encontra-se uma série de mesetas e depressões banhadas pelos rios que descem das montanhas. Ao norte, estende-se a planície do Turquestão afegão, cortada pelo rio Amu Daria; ao sul e sudoeste, estende-se uma ampla meseta, ocupada pelos desertos de Riguestão e Margow e sulcada pelo fértil vale do rio Helmand.

Bandeira do AfeganistãoGrandes amplitudes térmicas, ventos e períodos de seca marcam o clima. As precipitações alcançam 250mm anuais nas montanhas centrais e apenas 50mm nos desertos do sul. No inverno, que é longo, as temperaturas médias situam-se em OoC nos vales e mesetas e -15o C em altitudes superiores a 1.200m. No verão, há temperaturas superiores a 25o C. Nos desertos, os invernos são temperados e os verões longos e muitos quentes.

A maior parte dos rios afegãos deságua em lagos ou mares interiores. O Amu Daria é o único rio navegável. Nasce na meseta de Pamir e separa o país do Usbequistão, onde depois se interna. Na região norte-ocidental corre o Harirud, que banha o fértil vale de Herat.

As condições climáticas adversas, em especial a falta de umidade, resultam em uma flora pobre. Assim, a vegetação predominante é de estepe. Somente no flanco norte do Hindu Cush se encontram bosques de coníferas.

População. Devido à intensidade dos contatos com diferentes civilizações, formou-se no país uma população altamente heterogênea, que chegou ao fim do século XX ainda predominantemente rural. Cerca de metade é de etnia patane (pathans), que se fixou nas regiões sul e leste. Os tadjiques, que constituem 25% da população, estabeleceram-se no nordeste e oeste. Entre outras minorias, também se fixaram, no norte do país, os usbeques (cinco por cento) e os hazarah (cerca de três por cento). Enquanto isso, permaneciam praticamente desabitadas as áreas desérticas do sul e do sudoeste. As principais cidades são Cabul, a capital, Kandahar, Herat e Mazar-e Sharif. 

Economia. O Afeganistão desenvolveu um sistema econômico baseado nas atividades agropecuárias. No entanto, não passa de dez por cento a superfície total do país formada por vales e bacias irrigáveis. As principais culturas são trigo, arroz, cevada, alfafa, algodão, beterraba, cana-de-açúcar, milho e lentilha. Produzem-se também legumes, verduras e frutas. As agroindústrias, entre elas as de algodão, azeite de oliva e beterraba, se desenvolveram principalmente no norte.

A grande riqueza, porém, são os imensos rebanhos ovinos, que fornecem lã, carne e manteiga. Particular significação ganhou a raça caracul, cujo cordeiro novo dá uma pele de alta qualidade, o astracã. Há também criação de gado bovino, cavalos, camelos, burros, cabras e aves domésticas.

A indústria desenvolveu-se em função do mercado interno. Os principais produtos são têxteis, produtos alimentícios, entre eles o açúcar e óleos vegetais, cimento e fertilizantes químicos. A produção industrial concentrou-se em Cabul e Mazar-e Sharif. Cabul tornou-se também o centro da rede de transporte terrestre, cuja insuficiência fez perdurarem as caravanas formadas por cavalos, mulas e camelos.

O Afeganistão tem importantes reservas minerais, entre elas as de petróleo, carvão, sal-gema, lápis-lazúli, gesso e baritina. No entanto, o país concentrou-se na exploração de gás natural de Shibarghan, exportado para repúblicas da antiga União Soviética. A exploração mineral foi dificultada pelo relevo montanhoso e pelo afastamento do mar. 

História. A região onde mais tarde se formou o Afeganistão foi parte do império persa aquemênida nos séculos VI e V a.C. No século IV a.C., Alexandre o Grande fundou Alexandria de Aracósia, depois Kandahar. Desmembrado o império alexandrino, o Afeganistão conservou durante séculos a cultura e a legislação helênicas.

No século II a.C., o país foi ocupado pelos kushan, procedentes do Turquestão chinês. Sucederam-lhes os persas sassânidas, nos primeiros anos da era cristã. Somente em meados do século X uma dinastia de origem turca baseada em Ghazni conseguiu unificar o país, que já então se convertera ao islamismo.

O império mongol dominou o território afegão entre os séculos XIII e XVI. Após a série de lutas intestinas que se seguiu a sua desagregação, Ahmad Xá Durrani reunificou o país. Tendo submetido os clãs persas, ele fundou o estado nacional afegão. No entanto, a fragmentação política e as lutas tribais voltaram a ocorrer após sua morte.

Independência. A definitiva independência do Afeganistão somente chegaria como resultado das disputas coloniais entre o Reino Unido e a Rússia czarista. No século XIX, os britânicos dominavam a Índia e os russos começavam a expandir-se pela Ásia central. Para evitar o confronto, os governos das duas potências permitiram a existência de um estado-tampão, cuja autonomia toleraram. Contudo, tentativas britânicas de controlar os governantes afegãos levaram à guerra em 1842 e 1878. Assinado em 1879, o Tratado de Gandamak significou a submissão dos emires afegãos aos interesses do Reino Unido.

Afinal, em 1919, o Afeganistão, liderado por Amanolá, conseguiu a independência e empreendeu um programa de modernização que esbarrou em oposições religiosas e tribais. Essas divergências causaram uma guerra civil ao fim da qual Amanolá abandonou o trono e o país. As reformas, agora em ritmo mais lento, tiveram sequência com Nadir Xá, que subiu ao trono ao fim de um período marcado por golpes de estado.

Mais tarde a monarquia afegã tentou adquirir um caráter democrático, para o que, em 1964, adotou uma constituição que definia as instituições políticas. No entanto, não foi possível implementá-las devido às lutas entre as facções que disputavam o poder.

O aguçamento das lutas políticas, a partir de 1970, levou à queda da monarquia, em 1973. O primeiro presidente da república, Mohamed Daúd, primo e cunhado do rei deposto, tentou uma política progressista moderada. Em 1978, porém, foi também deposto por um golpe do Exército.

Intervenção soviética. O presidente designado, Mohamed Taraki, estreitou as relações com a União Soviética e impulsionou uma série de reformas polêmicas. Taraki foi assassinado em 1979, meses depois de nomear Hafizulá Amin como primeiro-ministro. Incapaz de controlar a situação, Amin foi deposto por novo golpe de estado, liderado por Babrak Karmal e apoiado pelo próprio Exército soviético, que interveio no Afeganistão.

A resistência armada dos guerrilheiros muçulmanos tomou conta do país. Milhões de pessoas deixaram o Afeganistão, a maioria com destino ao Paquistão. Karmal foi substituído por Mohamed Najibula em 1986. Pressionada pela opinião pública internacional e fustigada pela guerrilha islâmica, em maio de 1988 a União Soviética começou a retirada de suas forças, completada em fevereiro de 1989. Em abril de 1992 Najibula deixou o poder. Surgiu então, em 1994, uma nova força política: os talibãs ("estudantes", em idioma persa), jovens procedentes de escolas religiosas que se propunham a implantar a lei islâmica no país, desagregado pela queda do regime comunista. O radicalismo desses militantes originou uma nova guerra civil e deixou o país dividido entre os patanes, sob o domínio dos talibãs, e as outras etnias, que se concentraram no norte e se converteram no principal foco da luta armada.

Instituições políticas. Antes monarquia absoluta e depois parlamentarista, em 1973 o Afeganistão se tornou uma república parlamentarista. Em 1992, depois da queda de Najibula, o país tornou-se um estado islâmico, e no ano seguinte uma assembleia nacional, composta de líderes tribais e religiosos, aprovou a criação de um parlamento e de um novo Exército.

Sociedade e cultura. Um conjunto de fatores, entre eles os aspectos negativos do clima e a longa dominação estrangeira, deixaram o país a braços com problemas básicos. A essa altura, a cólera, o tifo e a tuberculose ainda eram endêmicos no país, e a taxa de analfabetismo permanecia elevada.

As línguas mais usadas são o pashto e o dari (persa). A influência persa é notável. Está presente na música e na dança, nas miniaturas, tapetes e utensílios de cobre, bem como em obras arquitetônicas.

País de tradição predominantemente islâmica, o Afeganistão incorporou no entanto contribuições de numerosas culturas com que entrou em contato durante sua longa e atribulada história. A primeira delas foi a helenística, presente sobretudo entre os séculos III e I a.C.

No século XX, verificou-se um renascimento artístico, após longo período de decadência, com a recuperação de formas estéticas pré-islâmicas e islâmicas e a penetração de influências ocidentais.

Cabul - Afeganistão (کابل )

Cabul ou Cábul é a capital e mais populosa cidade do Afeganistão. Cabul é, também, a capital da província de Cabul. Localiza-se no vale do rio Cabul e tem 3.573.000 de habitantes em sua região metropolitana, de acordo com estimativa oficial de 2009.  

Área: 275 km²

Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )
CABUL - AFEGANISTÃO (کابل )
Cabul - Afeganistão (کابل )

Luciano Mende