Alemanha | Aspectos Socioculturais da Alemanha

Alemanha | Aspectos Socioculturais da Alemanha

Alemanha - Aspectos Socioculturais da AlemanhaA República Federal da Alemanha (o país reunificado conservou essa denominação) ocupa uma superfície de 357.050km2, incluindo o território da antiga Alemanha oriental. Limita-se ao norte com a Dinamarca e os mares do Norte e Báltico; a leste com a Polônia, pela linha fluvial do Oder e do Neisse; a sudeste com a República Tcheca; ao sul com a Áustria e a Suíça; e a oeste com a França, Luxemburgo, a Bélgica e os Países Baixos (Holanda). O país se compõe de 16 estados federados autônomos denominados Länder (no singular, Land).

Em 1990, depois de longo período de divisão, a Alemanha recuperou a unidade com a reintegração da República Democrática Alemã (RDA ou Alemanha oriental), constituída após a segunda guerra mundial,  à República Federal da Alemanha (RFA ou Alemanha ocidental). Desse modo, o novo estado alemão reafirmava sua posição de grande potência demográfica e econômica no centro da Europa.

Geografia física

Geologia e relevo. Do ponto de vista do relevo, o território alemão faz parte de um conjunto mais amplo que se estende por toda a área centro-europeia. De fato, não existem fronteiras naturais bem diferenciadas com os países vizinhos, a não ser na parte meridional. São três as regiões naturais em que se divide o território: a planície setentrional, a região dos maciços centrais e a área alpina.

Planície setentrional - A região norte, parte da planície setentrional europeia, compreende os Länder de Schleswig-Holstein, Mecklenburgo e Baixa Saxônia; os pequenos estados de Bremen e Hamburgo; a parte norte-ocidental da Renânia do Norte-Vestfália; e a parte setentrional da Saxônia-Anhalt e Brandenburgo. Essa planície se formou em decorrência da erosão e da sedimentação derivadas das glaciações quaternárias. De grande importância agrícola e mineira (especialmente por seu gás natural), essa região caracteriza-se por acidentes que rompem a monotonia da planície.

Aachen

Aachen

Os cursos dos rios Weser, Aller, Elba, Havel, Spree e Oder seguem parcialmente o leito de antigos vales, formados pela fusão da calota glacial e orientados em linhas paralelas de sudeste para noroeste. No leste de Schleswig-Holstein e em Mecklenburgo, o terreno ondula-se ligeiramente e forma as chamadas colinas bálticas, constituídas por sedimentos procedentes das morenas (acumulações de pedra e barro) glaciais. Outras colinas mais baixas se estendem pelas zonas ocidental e meridional da planície, onde existem algumas terras de loess (sedimentos da era glacial que formam solos muito férteis).

Berlin
Berlin
No setor setentrional da região, assim como no oeste de Schleswig-Holstein e na Baixa Saxônia, estende-se um terreno arenoso e ondulado em que abundam os pântanos turfosos. No litoral do mar do Norte aparecem os Marschen, bancos arenosos cuja configuração se assemelha à dos pôlderes holandeses. As ilhas Frísias setentrionais e orientais formam um cordão litorâneo paralelo a esses bancos de areia.
Maciços centrais (Mittelgebirge) - Os montes Weser e a floresta de Teutoburgo são as primeiras elevações que limitam, em direção ao sul, a planície setentrional. Com eles se inicia a grande região central, constituída por um conjunto de maciços separados por depressões fluviais. O Hesse, o Palatinado Renano, o Sarre, a Turíngia, a parte meridional da Renânia do Norte-Vestfália, da Baixa Saxônia, da Saxônia-Anhalt e da Saxônia, assim como a parte setentrional da Baviera e de Baden-Württemberg, encontram-se dentro dessa variada e compartimentada região.

Os maciços característicos da região se formaram em conseqüência dos dobramentos hercinianos, originados durante a segunda fase da era paleozóica. Mais tarde, por efeito da erosão, as montanhas se transformaram num planalto ondulado. Este se fraturou em conseqüência da orogenia dos Alpes, que deu origem a soerguimentos chamados Horst e a fossas tectônicas.

No sudoeste da região encontra-se o maciço granítico da floresta Negra, que continua ao norte com o Odenwald; ambos formam a abrupta vertente oriental do vale do Reno. A oeste estende-se o maciço xistoso renano Schiefergebirde, cujos principais blocos (Eifel, Hunsrück, Westerwald e Taunus) são separados pelos vales dos rios Reno, Mosela e Lahn. No curso alto de Weser, os maciços de Rhön e Vogelsberg apresentam marcas de fenômenos vulcânicos do período terciário. No centro do país encontra-se o maciço do Harz e na direção leste alinham-se a floresta da Turíngia e os montes Metálicos (Erzgebirge). No leste da Baviera erguem-se as florestas da Boêmia e da Baviera.

Sulcam esse conjunto de maciços diversas bacias sedimentares e corredores, que em geral procedem de fossas tectônicas surgidas durante a orogenia alpina. Além da bacia do Reno, as mais importantes são as da Suábia e da Francônia, regiões históricas situadas respectivamente em Baden-Württenberg e no norte da Baviera, atravessadas pelos rios Neckar e Meno (Main). Entre a bacia do Reno e o vale do Danúbio, a sudeste, erguem-se os Jura da Suábia e da Francônia, mesetas calcárias com pronunciadas encostas cobertas de florestas.

Alemanha alpina e sub-alpina Alemanha alpina e sub-alpina - A região alpina e subalpina se estende pelo sul do país, a leste do lago Constança e ao sul do Danúbio, nos Länder da Baviera e de Baden-Württenberg. A cordilheira alpina propriamente dita só ocupa uma pequena faixa na fronteira com a Áustria, onde forma três conjuntos diferenciados de oeste para leste: os Alpes da Argóvia (Aargau), que margeiam a bacia do Iller; os Alpes bávaros, onde fica o Zugspitze (2.964m), ponto culminante da Alemanha; e os Alpes de Berchtesgaden, no extremo sul-oriental do país. Nessas regiões a paisagem é tipicamente alpina, com grandes lagos e vales de origem glacial. As formações montanhosas se compõem de dobramentos de sedimentos calcários da era mesozóica e não alcançam as grandes altitudes da vertente central austríaca e suíça.

Ao norte das montanhas estende-se uma zona subalpina conhecida como planalto bávaro, região fria  com cerca de 500m de altitude média, cuja morfologia é de tipo glacial, com abundantes morenas originadas na glaciação alpina quaternária.

Clima da Alemanha

Como toda a região centro-europeia, a Alemanha tem clima de transição entre o atlântico (temperaturas suaves, chuvas abundantes e regulares) e o continental (temperaturas baixas no inverno e menos umidade), este último próprio da Europa oriental. O caráter temperado do clima se observa numa amplitude térmica relativamente limitada: a temperatura média oscila entre 20o C em julho e 0o C em janeiro. Contudo, a continentalidade se manifesta na queda gradual das temperaturas médias em direção ao leste e também no sul, no planalto bávaro, onde os invernos são rigorosos.

As precipitações procedem das massas de ar atlântico que penetram pelo oeste e pelo noroeste. Embora o nível de chuvas seja regular ao longo do ano, a influência do anticiclone continental (zona de alta pressão atmosférica) durante o inverno determina uma menor quantidade de precipitações nessa estação. Apesar da relativa homogeneidade climática do território, é possível distinguir certa variação de oeste para leste e de norte para sul, com precipitações maiores nos litorais setentrionais e nas regiões ocidentais; e condições climáticas temperadas no centro, bem como progressivo esfriamento no sul e no sudeste, em consequência da altitude e da continentalidade.

Hidrografia da Alemanha

À exceção do Danúbio, que flui de oeste para leste até desembocar no mar Negro, os demais grandes rios da Alemanha correm de sul para norte. Todos eles são caudalosos e regulares e constituem importantes vias de comunicação fluvial, cujo tráfego é incrementado pela densa rede de canais que os une.

No extremo setentrional do país, em Schleswig-Holstein, a porção alemã da península da Jutlândia apresenta riqueza hidrográfica inferior à da parte dinamarquesa. O canal do imperador Guilherme ou de Kiel, no entanto, supre a carência de cursos fluviais e serve de ligação entre as costas do mar do Norte, nas proximidades da desembocadura do Elba, e o litoral báltico.

O Elba, o Weser, o Ems e o Reno deságuam no mar do Norte. O Elba, procedente da Boêmia, na República Tcheca, liga as cidades de Dresden, Magdeburgo e Hamburgo. O Weser nasce na floresta da Turíngia e o Ems na de Teutoburgo. Ambos apresentam coloração escura, decorrente da existência de turfeiras em suas cabeceiras, e correm lentamente até as desembocaduras. O canal de Mitteland, na Baixa Saxônia, constitui a principal artéria fluvial da região, sulcada por muitos canais que formam uma rede de comunicação entre o Ems, o Weser, o Aller (afluente do anterior), o Elba e o Oder.

O Reno nasce no maciço de São Gotardo, nos Alpes suíços, atravessa o lago Constança, faz a fronteira da Alemanha com a Suíça na direção leste-oeste e com a França de sul para norte; em seguida penetra em território alemão, passando por Espira (Speyer), Mannheim, Mogúncia (Mainz), Bonn, Colônia (Köln) e Düsseldorf, para finalmente desembocar no litoral holandês do mar do Norte. Por conseguinte, liga quatro nações -- Suíça, França, Alemanha e Países Baixos --, permitindo a navegação até Basiléia, na Suíça. Além disso, a criação de um amplo sistema de canais possibilitou o acesso, a partir do Reno, a outros grandes cursos fluviais, como o Elba, o Danúbio, o Ródano e o Marne. Em torno do Reno e de seus importantes afluentes (Neckar, Meno, Sarre, Mosela, Lahn e Ruhr) desenvolveram-se grandes centros urbanos, núcleos industriais, zonas agrícolas e minas.

O Danúbio, que se origina da confluência de dois pequenos rios procedentes da floresta Negra, o Brigach e o Breg, percorre os planaltos subalpinos de oeste para leste, pondo em comunicação a Alemanha com a Áustria e a Hungria com a Romênia, mas sua importância comercial é inferior à do Reno. Ao longo de seu curso alemão recebe as águas do Altmühl e do Naab, pela vertente setentrional, e as do Iller (em Ulm, a partir de onde o Danúbio se torna navegável), do Lech, do Isar e do Inn pelo lado sul, a partir das vertentes alpinas.

O Oder determina a fronteira com a Polônia, país em que fica sua foz. Seu principal afluente em território alemão é o Neisse. A ação dos fenômenos glaciais sobre a planície setentrional determinou a formação de numerosos lagos, como o Müritz, o Mecklenburgen e o Schwerin, e de pequenos cursos fluviais.

Flora e fauna da AlemanhaFlora e fauna da Alemanha

O alto desenvolvimento industrial, agrícola e urbano da Alemanha contribuiu para modificar e, em alguns casos, degradar o ambiente vegetal. A vegetação natural se diferencia segundo a altitude das regiões. No litoral setentrional existe uma flora pobre, composta por espécies herbáceas e arbustos, como a urze e outras ericáceas. Mais para o sul, a planície alemã apresenta espécies arbóreas (faia, olmo, freixo, bétula e abeto). Nos maciços centrais, os bosques originais de espécies de folhas caducas (faia, carvalho) foram em parte substituídos pelo reflorestamento com coníferas (pinheiro, abeto, cedro). Os bosques se situam sobretudo nas zonas montanhosas e disso decorre o nome "floresta" (Wald em alemão), com que se identificam alguns desses maciços. A faixa alpina apresenta vegetação típica de montanha, com pradarias, arbustos e bosques.

A fauna alemã, em grande medida conservada em parques e em reservas biológicas, também sofreu um contínuo processo de degradação que provocou a extinção de algumas espécies, como o urso pardo, o lobo e o bisão. Também correm risco de desaparecimento o lince, nos Alpes, e o gato montês. As espécies típicas da Europa central que se acham conservadas são a lebre-dos-alpes, o cervo, o cabrito montês, a camurça, o javali e diversos roedores, aves e répteis.

População da AlemanhaPopulação da Alemanha

A Alemanha é o segundo país da Europa em população, superado apenas pela Rússia. A afluência à zona ocidental de alemães de outros pontos do país e de imigrantes de diferentes nacionalidades, assim como a tendência ao estancamento do crescimento vegetativo, têm sido as principais características da evolução demográfica.

A maior parte da população descende de diversos grupos germânicos que se estabeleceram na região centro-européia no primeiro milênio antes da era cristã. Esses grupos partilhavam a mesma língua, embora expressa em muitos dialetos, mas apresentavam características étnicas heterogêneas que se acentuaram ao longo da história em conseqüência da fusão com outros povos, como os celtas e os eslavos. Na moderna Alemanha, as diferenças humanas e lingüísticas das várias regiões se atenuaram, embora a prolongada divisão política tenha gerado certas peculiaridades culturais que distinguem os alemães do leste daqueles do oeste. A chegada de imigrantes à Alemanha ocidental na segunda metade do século XX compensou as perdas humanas ocasionadas pela segunda guerra mundial, estimadas em cerca de três milhões de pessoas, na maioria jovens do sexo masculino. Além da população de origem germânica, convivem na antiga Alemanha ocidental diversas minorias étnicas de nacionalidade alemã, como judeus, eslavos e dinamarqueses, assim como franceses descendentes dos huguenotes fugidos de seu país no fim do século XVII. Os trabalhadores imigrantes, chegados à Alemanha sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, eram principalmente turcos, iugoslavos, italianos, gregos, espanhóis e portugueses.

Na Alemanha oriental, que constituiu um país autônomo de 1949 a 1990, as perdas humanas provocadas pela guerra foram compensadas com o ingresso de vários milhões de alemães expulsos da Polônia, da Tchecoslováquia e da Hungria. Contudo, as dificuldades econômicas derivadas do pagamento das indenizações de guerra e da política de coletivização estimularam o movimento migratório para a Alemanha ocidental, calculado em 1,7 milhão de pessoas.

A interrupção do crescimento da população e mesmo a redução desta se incluem entre as características mais notáveis da evolução do país nas últimas décadas do século XX, tanto na zona ocidental como na oriental. Isso se traduz num envelhecimento da população, isto é, no aumento dos grupos de idade mais alta em relação à população jovem, em conseqüência dos baixos níveis de natalidade e do prolongamento da expectativa de vida.

Cidades principais. Outra característica específica da estrutura demográfica alemã é a concentração em cidades. Entre os numerosos núcleos populacionais predominam as cidades de tamanho médio, exceto nas bacias do Ruhr e do Reno, onde se formaram verdadeiros complexos urbanos, e na zona de Berlim.

Na Baviera, no sul do país, destaca-se Munique (München), a capital do Land, que apesar da devastação sofrida durante a guerra conservou valiosos tesouros da arte medieval. Munique abriga um dos mais importantes museus europeus de ciência e tecnologia. Nas imediações da cidade ficam algumas das mais conhecidas indústrias cervejeiras do mundo. Outras cidades importantes dentro do mesmo Land são Nuremberg, Augsburgo e Ratisbona (Regensburg).

A oeste da Baviera encontra-se Baden-Württemberg, cuja capital, Sttutgart, se situa na bacia do Neckar, ao pé da floresta Negra. É uma florescente cidade industrial com numerosas fábricas de produtos eletrônicos e automóveis. No mesmo estado ficam Mannheim, grande porto fluvial, e Heidelberg, sede da primeira universidade alemã.

No Palatinado Renano encontram-se os núcleos urbanos de Mogúncia (Mainz), a capital, de Coblença (Koblenz) e de Ludwigshafen. A capital de Hesse, Frankfurt-sobre-o-Meno (Frankfurt am Main), tornou-se um próspero centro industrial e financeiro, além de representar um dos pontos nevrálgicos das comunicações terrestres e aéreas de toda a Europa.

A principal cidade da Renânia do Norte-Vestfália, o Land com maior concentração populacional, é Colônia (Köln), um dos grandes centros industriais do país. A cidade, de grande importância histórica, tem fábricas de automóveis, de produtos químicos e de perfumaria. Outras cidades importantes são Bonn, sede do governo federal da Alemanha ocidental até a reunificação e capital provisória da Alemanha unificada, e Aachen (a antiga Aix-la-Chapelle), sede da corte imperial de Carlos Magno. Em torno das instalações mineiras e industriais da bacia do Ruhr, desenvolveu-se um extenso conglomerado urbano formado por cidades como Düsseldorf, Essen, Duisburgo, Dortmund, Solingen, Wuppertal e Krefeld.

Na planície setentrional, Hannover, capital da Baixa Saxônia, é centro de uma importante região agrícola e mantém notável atividade industrial. Por sua vez, Bremen, na desembocadura do Weser, e especialmente Hamburgo, situada no estuário do Elba, baseiam sua atividade econômica no tráfego de mercadorias e passageiros de seus grandes portos.

Berlim, capital oficial da Alemanha, é a maior cidade do país. De 1961 até 1989 esteve dividida por um muro de cimento e arame farpado que separava a zona de intervenção soviética da parte ocidental, correspondente ao espaço ocupado pelos exércitos americano, britânico e francês ao fim da guerra.

Na zona oriental do país destacam-se as cidades de Magdeburgo (centro da indústria pesada), Dessau, Halle (metalurgia e indústria química), Leipzig (antigo centro comercial) e Dresden (indústria mecânica e eletrônica). Nos montes Metálicos encontram-se Chemnitz (Karl-Marx-Stadt durante a existência da Alemanha oriental) e Zwickau. Outros núcleos industriais de menor envergadura são Erfurt, Weimar, Gotha e Jena, na floresta da Turíngia, no sudoeste, e Rostock, importante porto da costa do Báltico. 
Economia da Alemanha

Economia da Alemanha

A divisão da Alemanha, ocorrida ao fim da segunda guerra mundial, tornou necessária uma reestruturação da atividade econômica nos dois estados. A Alemanha ocidental realizou um esforço exemplar para a reconstrução, de forma que, na segunda metade do século XX, o país se situava entre as primeiras potências econômicas do mundo. O chamado "milagre alemão", tão espetacular quanto o que se produziu no Japão depois da guerra, criou um padrão de desenvolvimento sustentado que se manteve, com algumas flutuações, até a primeira valorização da moeda, o marco alemão (Deutsche Mark), ocorrida em 1961. Um novo período de crescimento terminou em 1973-1975, quando se produziu uma recessão internacional em conseqüência da forte alta dos preços do petróleo. Na década de 1980, e mesmo depois da reunificação, a economia da região ocidental do país continuou a ser uma das mais vigorosas do mundo.

A Alemanha oriental, em contrapartida, sofreu maiores prejuízos econômicos em conseqüência da guerra e da ocupação soviética, ao que se somou a interrupção dos vínculos industriais e comerciais que essa zona do país havia tradicionalmente mantido com as regiões da Alemanha ocidental. Contudo, a partir de 1954, quando a União Soviética permitiu a suspensão do pagamento das indenizações de guerra e cedeu ao governo as empresas criadas após o conflito, a economia alemã oriental cresceu com grande ímpeto e o país se tornou um dos mais industrializados do mundo. No entanto, o sistema de planificação centralizada se mostrou insuficiente para sustentar o crescimento econômico e no fim da década de 1980 a economia alemã oriental manifestou os sintomas de uma profunda crise, como aconteceu em outros países do bloco socialista. Depois da unificação das duas Alemanhas, surgiram graves problemas para a modernização das instalações industriais e para a adaptação das infra-estruturas econômicas ao sistema de mercado imperante na Alemanha ocidental.

Agricultura e pecuária da AlemanhaAgricultura e pecuária da Alemanha

Na segunda metade do século XX, apesar da pobreza de seus solos, a Alemanha conseguiu incrementar notavelmente o rendimento do setor agropecuário, tanto no leste como no oeste. O motor desse desenvolvimento foi a introdução de avançados recursos técnicos e mecânicos, complementados, no caso da Alemanha oriental, pela criação de cooperativas de produção e comercialização e pela concentração fundiária. No período em que existiu o estado alemão oriental, a atividade agropecuária dessa parte do país sofreu intensa transformação, em conseqüência da socialização das grandes propriedades, da fixação de preços pelo governo, do fornecimento de maquinaria agrícola para as coletividades agrárias e da criação de cooperativas de produção. Os resultados, positivos no início, não foram suficientes para impedir uma crescente disparidade produtiva frente à agricultura de mercado da Alemanha ocidental.

Os principais produtos agrícolas do país são a beterraba (destinada à fabricação de açúcar), a batata e os cereais (trigo, aveia, cevada e centeio). É importante a pecuária bovina, suína e ovina. A frota de pesca alemã, que opera nos pesqueiros do mar do Norte, da Groenlândia, da Islândia e do Labrador, obtém um volume de pescado que, apesar de importante, é insuficiente para abastecer o mercado interno.

Mineração e indústria da AlemanhaMineração e indústria da Alemanha

A prosperidade econômica da Alemanha ocidental no pós-guerra se baseou sobretudo no grande desenvolvimento industrial. Durante os vinte primeiros anos de existência do estado, as principais atividades produtivas foram a extração de carvão, ferro e outros minerais, assim como a indústria siderúrgica. A situação começou a modificar-se a partir dos últimos anos da década de 1960, quando se tornaram evidentes o esgotamento ou a perda de rentabilidade de algumas regiões mineiras do país. Desde então, o papel de motor do desenvolvimento econômico passou para as indústrias de transformação, cuja produção se tornou uma das mais importantes do mundo pela qualidade e avançada tecnologia.

Entre as atividades que passaram a segundo plano, embora sua importância ainda seja considerável, estão a extração de hulha (nas regiões de Ruhr, Sarre, Aachen e bacia de Zwickan), de linhito (Baviera, Hesse, Colônia, Saxônia e Magdeburgo) e de minério de ferro (Baixa Saxônia). Em Stassfurt, a leste do Harz, extraem-se potassa e sal-gema. A indústria siderúrgica (localizada principalmente nas bacias do Sarre e do Ruhr), que se desenvolveu muito na época nazista, atingiu alto grau de tecnologia e diversificação. Na zona oriental destaca-se o centro de Eisenhüttenstadt, no vale do Oder.

Um setor industrial que goza de notável prosperidade é o dos produtos químicos (medicamentos, preparados fotoquímicos, corantes). A Renânia do Norte-Vestfália e o Hesse são as regiões em que se concentra a maior parte desse setor produtivo, dominado principalmente pelos grandes consórcios das empresas Bayer, Hoechst e BASF. Os vales do Elba (Dresden, Magdeburgo), do Saale (Leipzig, Halle) e do Mulde (Dessau, Bitterfeld) são importantes regiões siderúrgicas do leste da Alemanha.

A metalurgia de transformação constitui outro setor fundamental da indústria alemã. Nele se incluem as indústrias naval e aeronáutica e, predominantemente, a indústria automobilística. No fim do século XX, os principais fabricantes de automóveis eram a Volkswagen, a Opel (General Motors), a Daimler-Benz e a Bayerische Motoren Werke (BMW).

Um exemplo da grande capacidade e diversidade da economia alemã é também a indústria elétrica, caracterizada pela constante renovação tecnológica e pelo volume de exportação. Siemens, AEG, Osram, Telefunken e Grundig são os nomes de algumas das grandes empresas que estenderam o prestígio do país por todo o mundo.

Atividade financeira, comércio e comunicações. Depois do isolamento de Berlim, o grande centro comercial e financeiro da Alemanha antes da guerra, a atividade financeira da Alemanha ocidental se concentrou progressivamente em Düsseldorf e, sobretudo, em Frankfurt-sobre-o-Meno, cidade em que se instalaram a sede do Deutsche Bundesbank (Banco Federal Alemão) e das principais instituições bancárias. A influência dessas duas cidades nos mercados de capitais e divisas chegou a ultrapassar o universo econômico europeu.

Ante a necessidade de importar grandes quantidades de matérias-primas, a Alemanha ocidental empreendeu com êxito a conquista dos mercados internacionais mediante a exportação de produtos elaborados de alta qualidade e prestígio. Outros fatores que contribuíram para situar a RFA num dos primeiros lugares do comércio mundial foram a competitividade de seus preços, a modernização dos sistemas de venda e a capacidade do empresariado. As exportações de produtos manufaturados, destinadas sobretudo à Comunidade Econômica Europeia (CEE) e aos Estados Unidos, permitiram cobrir folgadamente a importação de petróleo, produtos alimentícios, minerais e têxteis.

A República Democrática Alemã, por sua vez, orientou seu comércio para os países socialistas, especialmente a União Soviética, embora tenha também desenvolvido um intenso intercâmbio com a Alemanha ocidental. Suas principais exportações se constituíram, igualmente, de produtos industriais como tecidos, filmes e papéis fotográficos, relógios, máquinas fotográficas, linhito e potassa.

Do ponto de vista histórico, o desenvolvimento industrial alemão se deveu em grande medida à criação e à progressiva ampliação de uma rede de comunicações extraordinariamente densa e bem articulada. Na década de 1990, a rede fluvial, com vários milhares de quilômetros de canais e rios navegáveis, permitia atender ao transporte de aproximadamente um terço do comércio exterior. A malha ferroviária era também muito ampla, mas sua exploração se revelava deficitária ante a forte concorrência dos outros meios de transporte e, em particular, da magnífica rede de estradas e autopistas pelas quais circulava um enorme e crescente tráfego de pessoas e mercadorias.

Por último, cabe citar a importância dos portos marítimos de Bremen, Hamburgo, Kiel e Rostock e dos aeroportos de Frankfurt-sobre-o-Meno, Düsseldorf e Berlim. 
História da Alemanha

História da Alemanha

Povos germânicos da antiguidade. Os limites étnicos e lingüísticos do território alemão ficaram mais ou menos definidos em relação ao Império Romano a partir da criação da província da Gália por Júlio Cesar, em 51 a.C. Com Augusto, a margem ocidental do Reno e a meridional do Danúbio se estabeleceram como fronteiras do império.

Durante o século III ocorreu a união das tribos germânicas ocidentais em três grandes grupos: os saxões, os francos e os alamanos, cuja hostilidade a Roma obrigou imperadores como Diocleciano, Constantino, Juliano e Valentiniano a fortalecer as fronteiras do Reno. No leste, outra grande tribo germânica, a dos godos, começou a ameaçar a fronteira do Danúbio a partir do ano 238.

Foi ao longo do século IV que se processou a onda de invasões germânicas sobre o Império Romano, em consequência da pressão exercida pelos hunos, povo procedente da Ásia. Simultaneamente, a influência da civilização romana começava a consolidar-se em muitos dos povos germânicos, os quais, em meados do século, adotaram a religião do império, o cristianismo, ainda que principalmente na versão herética do arianismo.

A vitória dos godos em Adrianópolis (mais tarde Edirne, na Turquia), em 378, acarretou o início da queda do Império Romano. Em 410, os visigodos de Alarico saquearam Roma e em seguida se estabeleceram no sudoeste da Gália e em quase toda a Espanha. Enquanto as províncias romanas eram invadidas pelas hostes germânicas, o território da atual Alemanha foi ocupado pelo efêmero império huno de Átila, entre os anos 434 e 453. Depois da vitória dos gépidas (tribo germana do leste) sobre os hunos no rio Nedao (ou Nedad), na Panônia, em 455, a Alemanha foi ocupada pelas confederações de saxões e alamanos.

Domínio franco e império carolíngio na Alemanha. O reino franco instaurado por Clóvis no fim do século V estendeu sua influência sobre a área centro-europeia durante os dois séculos seguintes, em consequência de uma série de campanhas militares dirigidas contra os turíngios da Alemanha central e os saxões e bávaros do sul. Embora a dinastia merovíngia nunca tenha dominado completamente a Alemanha, sua preponderância política e militar revelou-se determinante para obter o assentamento dos povos germânicos.

No fim do século VII, Pepino de Herstal impôs o domínio da Austrásia, região mais germânica do reino merovíngio, sobre todos os territórios francos, que haviam perdido a unidade depois da morte de Dagoberto I. Os senhores da Austrásia, e mais tarde os reis francos da dinastia carolíngia, estenderam o poder político e religioso à maior parte das tribos da Alemanha, à exceção dos saxões do norte. Nesse processo de assimilação, foi especialmente importante a atividade dos missionários anglo-saxônicos, entre os quais se destacou são Bonifácio.

O reinado de Carlos Magno (768-814) estendeu o aparelho administrativo e religioso do reino franco às regiões alemãs da Saxônia, da Suábia e da Baviera. Depois de empreender uma série de campanhas contra os eslavos e os ávaros, Carlos Magno foi proclamado imperador de Roma em 800, com o que assumia a responsabilidade política sobre o império do ocidente, desvinculado de Constantinopla.

O filho e sucessor de Carlos Magno, Luís I o Piedoso, deixou o império dividido entre três de seus próprios filhos, Carlos, Luís e Lotário. Pelo Tratado de Verdun, de 843, Lotário manteve o título imperial e assumiu o poder sobre os territórios compreendidos entre a Francia Occidentalis, de Carlos II o Calvo, e a Francia Orientalis (Alemanha), de Luís II o Germânico. Pela primeira vez, os diferentes povos germânicos ficavam submetidos a um soberano único e próprio, ainda que as pretensões dinásticas deste não se limitassem ao território alemão. O Tratado de Meerssen, firmado em 870, depois da morte de Lotário II, ampliou o território da Francia Orientalis, que ficou definida entre os limites do Mosela e do Escalda (antes pertencentes à Lotaríngia), a oeste; os Alpes, no sul; e o Elba e os maciços boêmios, a leste. Em 880, o Tratado de Ribermont destinou a Lotaríngia aos filhos de Luís II o Germânico.

Carlos III o Gordo, filho de Luís II o Germânico, herdou a coroa imperial e restabeleceu a unidade carolíngia em 884, mas depois de sua deposição, em 888, o império voltou a desagregar-se. Durante os efêmeros reinados de Arnulfo de Caríntia e Luís o Infante, o território alemão foi assediado pelas incursões de normandos, eslavos e magiares, o que favoreceu o processo de feudalização e decomposição do poder real que se estava produzindo em toda a Europa ocidental. De maneira geral, foram os antigos funcionários carolíngios que assumiram o poder nos numerosos ducados, marcas (regiões fronteiriças fortificadas) e principados eclesiásticos que surgiram entre o fim do século IX e o começo do X.

Sacro Império Romano-Germânico. A morte de Luís o Infante, em 911, coincidiu com a extinção do ramo oriental da dinastia carolíngia. Depois do reinado de Conrado I da Francônia, em 919 os nobres desse território e da Saxônia elegeram Henrique I rei de Saxe-Turíngia, que pouco a pouco obteve o reconhecimento de suábios e bávaros por seus méritos militares nas campanhas contra eslavos, húngaros e normandos. Em 962, Oto I, seu filho e sucessor, coroou-se imperador em Roma, depois de haver repelido os eslavos até o Oder, na batalha de Recknick (955).

Ao longo do século X, a influência cultural de Roma e Constantinopla se fez evidente na casa de Saxe, da qual alguns imperadores, como Oto II e Oto III, fixaram residência na Itália. Em 1024, a eleição de Conrado II iniciou a época dos imperadores francos sálios (ou sálicos). Conrado II incorporou a Borgonha ao império, até então composto pela Alemanha e a Itália, e fortaleceu a centralização administrativa. O domínio sobre a Igreja se incrementou no reinado de Henrique III, quando os pontífices passaram a ser designados pelo imperador. Contudo, a reação da igreja não se fez esperar (questão das investiduras). Os papas Nicolau II e Gregório VII recuperaram algumas das atribuições do pontificado e finalmente, em 1122, a questão das investiduras se resolveu mediante a concordata de Worms, pela qual o papa Calisto II obrigou o imperador Henrique V a aceitar o preenchimento dos cargos eclesiásticos pela hierarquia religiosa. Isso contribuiu para acelerar a feudalização e o enfraquecimento do poder imperial na Alemanha.

No século XII, as lutas entre os guelfos, partidários do papa, e os gibelinos, defensores da casa de Hohenstaufen, instaurada em 1138 com a eleição do imperador Conrado III, cederam lugar a uma época de esplendor econômico e cultural durante os reinados de Frederico I Barba-Roxa e Henrique VI. Depois de um novo período de guerras entre os guelfos de Filipe da Suábia e os gibelinos de Oto IV, a coroação de Frederico II, em 1215, representou a consolidação da autonomia territorial por parte dos príncipes alemães. Na primeira metade do século XIII iniciou-se também o processo de desenvolvimento urbano, favorecido pelas rotas comerciais da Itália e de Flandres e pela expansão da colonização alemã em direção ao leste da Europa.

Depois do "grande interregno alemão", de 1250 a 1273, constituiu-se uma ordem de príncipes eleitores encarregados de designar o sucessor imperial. Durante a primeira metade do século XIV, os imperadores alemães interessaram-se mais em aumentar os patrimônios familiares do que em impor seu poder sobre as forças autônomas do império. A perda dos territórios italianos e a pressão da França, a oeste, estimularam a colonização do leste, o que, com as conquistas da Ordem Teutônica, provocou o deslocamento das fronteiras germânicas até a Rússia.

A atomização política do império alemão chegou ao clímax no século XV. Os conflitos religiosos (revoltas dos hussitas), a ameaça turca e a derrota da Ordem Teutônica na Polônia favoreceram a desordem e a insegurança nos diferentes territórios alemães. Contudo, no fim do século, o imperador Maximiliano, da poderosa casa de Habsburgo, empreendeu uma política de unificação administrativa.
Alemanha na Idade Moderna. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII desenvolveu-se a identidade nacional alemã, mas se cristalizou também a divisão política do país. A eleição de Carlos V como imperador pôs a Alemanha na órbita das grandes transformações econômicas e culturais da Idade Moderna. Os banqueiros e comerciantes das famílias alemãs Fugger e Welser financiaram o empreendimento imperial de Carlos V, em cujos domínios (Espanha, América, Nápoles, Sicília, Países Baixos, Borgonha, Áustria, Alemanha) se iniciou o primeiro processo de acumulação capitalista na Europa.

O autoritarismo do imperador contribuiu para aproximar muitos príncipes alemães das teses religiosas de Martinho Lutero, cujo movimento reformador autorizava a intervenção do estado em assuntos religiosos e a secularização dos bens eclesiásticos. Lutero deu forma definitiva à língua alemã escrita, fixando-lhe as normas em suas obras. A divisão religiosa e política da Alemanha se institucionalizou depois da paz de Augsburgo, em 1555, pela qual o imperador Carlos V permitiu aos príncipes a imposição das crenças religiosas de cada um deles aos súditos de seus respectivos estados.

Na segunda metade do século XVI, a Contra-Reforma católica impulsionada por Filipe II da Espanha se estendeu à Baviera e à Renânia. Simultaneamente, a Alemanha conheceu um período de estagnação econômica em virtude da decadência das cidades do norte (a Hansa) e da ruína dos banqueiros que financiavam a política da monarquia espanhola.

A divisão religiosa da Europa, acentuada com a propagação do calvinismo, manifestou sua dimensão política por ocasião da guerra dos trinta anos (1618-1648), cujo campo de batalha foi a Alemanha. Em 1648, a paz de Vestfália consagrou o princípio da autonomia plena dos mais de 300 estados imperiais e determinou a perda de diversos territórios para a Suécia e a França.

A crise econômica ocasionada pela guerra começou a ser superada no fim do século XVII. O título imperial, transformado em mero cargo honorífico, ficou adstrito à casa de Habsburgo, enquanto os estados alemães passavam a adotar as práticas absolutistas inspiradas na monarquia francesa. O aperfeiçoamento e a modernização do aparelho estatal foram especialmente notáveis no ducado de Brandemburgo, que no século XVIII se transformou no reino da Prússia. O grande eleitor Frederico Guilherme e o rei Frederico Guilherme I prepararam o caminho para Frederico II o Grande (que reinou de 1740 a 1786), autêntico déspota esclarecido que converteu a Prússia numa potência européia, tanto no aspecto político e militar como no econômico. Durante o século XVIII, a eficiência do exército prussiano se fez notar em duas guerras que envolveram toda a Europa: a da sucessão da Áustria (1740-1748) e a dos sete anos (1756-1763).

Dominação francesa e processo de unificação. Entre 1792 e 1805, os exércitos revolucionário e napoleônico impuseram o controle francês a todo o território alemão, dividido entre a Confederação do Reno, a Áustria e a Prússia. Em 1806, Francisco II declarou a dissolução do Sacro Império e proclamou-se imperador da Áustria. Nos anos seguintes, a dominação francesa estimulou o aparecimento da consciência nacional alemã, especialmente na Prússia, onde os ministros de Frederico Guilherme III, inspirados nas ideias da revolução, empreenderam importantes reformas administrativas e econômicas. A partir de 1813, as guerras de libertação reuniram os alemães num esforço comum contra o invasor. A Prússia, aliada à Rússia e à Áustria, venceu a França em Leipzig em outubro desse mesmo ano; em fevereiro do ano seguinte as tropas do marechal Gebhard Leberecht de Blücher entraram em Paris.

O Congresso de Viena de 1815 substituiu o Sacro Império por uma Confederação Germânica composta de 35 estados e quatro cidades livres, estruturada em torno da Dieta (assembleia de representantes) de Frankfurt-sobre-o-Meno. Desde o princípio, a Áustria e a Prússia entraram em conflito por suas ambições hegemônicas sobre a confederação, ainda que concordassem em manter a divisão política e em reprimir os movimentos liberais e nacionalistas.

Na primeira metade do século XIX, disseminaram-se pela Alemanha os ideais românticos, que buscavam no passado medieval a essência da nação germânica. Os estudos históricos e linguísticos contribuíram para reforçar o nacionalismo, especialmente ativo nas universidades do país. Contudo, foram as necessidades de desenvolvimento econômico que aceleraram o processo de unificação. A industrialização da Prússia e de outros estados do sul e do oeste, assim como o incremento do fluxo comercial entre as distintas regiões alemãs, tornaram necessária a criação, em 1834, de uma união alfandegária (Zollverein), que englobava 18 estados, com 23 milhões de habitantes. O progresso econômico se acelerou com a construção da rede ferroviária, a partir de 1839, e com a industrialização das cidades renanas.

As revoluções liberais e nacionalistas de 1830 e 1848 fracassaram ante a dura oposição dos governos austríaco e prussiano, mas contribuíram para ampliar a consciência nacional. Finalmente, os grupos liberais, inclusive os socialistas, aceitaram o processo unificador empreendido pelo governo conservador da Prússia, encabeçado por Otto von Bismarck a partir de 1862. Após a criação da Confederação da Alemanha do Norte, as vitórias militares sobre a Áustria e a França resultaram na coroação de Guilherme I da Prússia como imperador do Segundo Reich (império) alemão, em janeiro de 1871. Pelo tratado de paz com a França, firmado em maio na cidade de Frankfurt, a Alemanha anexou a região da Alsácia-Lorena.

Segundo Reich e primeira guerra mundial

O governo de Bismarck, caracterizado pelo autoritarismo, coincidiu com o início de um importante período de desenvolvimento em todos os setores da economia alemã. A legislação social adotada por Bismarck conseguiu moderar os ímpetos revolucionários do crescente movimento operário, mas a tentativa de submeter a Igreja Católica mediante a Kulturkampf (luta pela cultura) fracassou frente à resistência passiva do clero. Em política externa, a grande preocupação de Bismarck foi evitar a formação de coalizões poderosas contra a Alemanha, para o que estabeleceu um complicado sistema de pactos e alianças secretas com a Rússia, a Áustria, a Itália e outros países.

A partir de 1890, a intervenção pessoal do Kaiser (imperador) Guilherme II na política alemã obrigou Bismarck a renunciar. O imperador promoveu a expansão de seu país na África e no Pacífico, o que contribuiu para criar uma crescente rivalidade entre a Alemanha e as demais potências imperialistas europeias, especialmente o Reino Unido e a França.

Na primeira década do século XX, a euforia nacionalista se expressou pela criação de sociedades que propugnavam a hegemonia da Alemanha na Europa e no mundo. A rivalidade entre as potências europeias, manifestada nas crises do Marrocos (1905 e 1911) e nas guerras balcânicas de 1911 a 1913, determinou a consolidação das alianças militares que haveriam de confrontar-se na primeira guerra mundial: os impérios centrais da Alemanha e da Áustria, contra a tríplice entente formada pelo Reino Unido, a França e a Rússia.

O início da guerra provocou na Alemanha a união de todos os grupos políticos, incluídos os socialistas, no empreendimento comum da defesa nacional. Após as primeiras vitórias da ofensiva alemã, a partir de 1917, tornou-se evidente a fragilidade econômica e social do país. A entrada dos Estados Unidos na guerra apressou a derrota dos impérios centrais. Em novembro de 1918, o governo alemão pediu o armistício.

República de Weimar e Terceiro Reich

Em 1918, uma sucessão de revoltas operárias precipitou a abdicação de Guilherme II e o estabelecimento do regime republicano. No ano seguinte, após a repressão de novas sublevações populares, proclamou-se a constituição republicana na cidade de Weimar. Pelo Tratado de Versalhes, concluído em junho de 1919, os vencedores da guerra impuseram à Alemanha a perda de diversos territórios na Europa, além das colônias ultramarinas, e obrigaram o governo da nova república a pagar vultosas indenizações.

A crise econômica, agravada em 1929, favoreceu a instabilidade política e o fortalecimento dos grupos extremistas, especialmente o dos nacional-socialistas (nazistas), que denunciavam os acordos de Versalhes como uma "punhalada nas costas" da nação por parte do governo social-democrata. Adolf Hitler, líder do partido nazista, chegou ao poder em 1933 e desencadeou uma política ditatorial empenhada na reconstrução econômica, na perseguição aos judeus e na repressão a todos os grupos de oposição. A ocupação da Polônia, em 1939, deu início à segunda guerra mundial.

Entre 1939 e 1941, a Alemanha, aliada à Itália e ao Japão, ocupou grande parte da Europa, inclusive a França. A declaração de guerra à União Soviética, com a qual a Alemanha havia firmado em 1939 um pacto de não-agressão, determinou a dispersão das tropas e o enfraquecimento do exército alemão (Wehrmacht), pois persistia a luta na frente ocidental, contra o Reino Unido. A situação se agravou com a entrada dos Estados Unidos na guerra e os bombardeios aliados em território alemão. Em maio de 1945, a Alemanha se rendeu incondicionalmente.

Os acordos de Yalta e Potsdam fixaram as fronteiras da Alemanha entre o Reno, no oeste, e o Oder-Neisse, no leste, e determinaram a ocupação de seu território pelas potências vencedoras (Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética). A União Soviética apropriou-se do norte da Prússia oriental, enquanto a Polônia anexava, entre outras, as regiões da Silésia e de Danzig, atual Gdansk. O bloqueio de Berlim pelas autoridades soviéticas, entre junho de 1948 e maio de 1949, constituiu o apogeu da guerra fria entre o bloco ocidental e o socialista, cuja conseqüência imediata foi o estabelecimento das duas repúblicas alemãs: a República Federal da Alemanha (RFA), na parte ocupada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a França, e a República Democrática Alemã (RDA), na parte soviética.

República de Weimar e Terceiro Reich
No início de 1945, as tropas soviéticas entraram no setor oriental da Alemanha. Após a queda do governo nazista, a União Soviética criou uma administração militar encarregada de receber o pagamento das indenizações de guerra e iniciar a construção de um estado socialista na Alemanha oriental.

Durante um congresso realizado em março de 1948 pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha (comunista), estabeleceu-se o Volksrat (conselho do povo), que elaborou a constituição da República Democrática Alemã, aprovada em 1949. Em outubro de 1950, o novo estado foi admitido no Comecon (Conselho de Assistência Mútua), integrado pela União Soviética e por seus aliados europeus. O governo de Walter Ulbricht e Otto Grotewohl empreendeu um programa econômico baseado na planificação, reformulado depois das insurreições populares de 1953.

Para fortalecer os limites entre seus territórios e o da Alemanha ocidental, a RDA postou um cordão policial ao longo de toda a fronteira. Dessa forma, Berlim se tornou o ponto de fuga mais vulnerável para as pessoas inconformadas com o regime socialista. A fim de evitar a evasão de dissidentes, a Volkskammer (câmara do povo) decidiu em 1958 bloquear a saída para Berlim ocidental com uma cerca de arame que em 1961 foi substituída por um muro de concreto (o muro de Berlim).

Durante a década de 1960, teve início a recuperação econômica do país, que começava a receber o reconhecimento internacional de sua soberania. Em outubro de 1971, a RDA solicitou o ingresso na Organização das Nações Unidas, alegando que sua admissão poderia ajudar a resolver os problemas enfrentados pelas duas Alemanhas. No mesmo ano, Erich Honecker assumiu o cargo de primeiro-secretário do partido governante e em 1972 os dois estados firmaram um tratado de reconhecimento mútuo. Em 1973, as duas Alemanhas entraram para as Nações Unidas e em 1974 trocaram embaixadores. Em 1989, protestos populares e a crescente fuga de pessoas para o lado ocidental causaram a queda de Honecker. Egon Krenz assumiu os cargos de secretário-geral do partido e de presidente da república e ordenou a formação de um governo, encabeçado por Hans Modrow, que incluiu não-comunistas. Krenz renunciou em dezembro e um político não comunista, Manfred Gerlach, do Partido Liberal Democrático, assumiu a presidência.

Em 18 de fevereiro de 1990, realizaram-se as primeiras eleições livres na história da RDA, vencidas pelos conservadores. Lothar de Maiziere, democrata-cristão, encabeçou um governo de coalizão e acelerou as negociações pela reunificação da Alemanha, as quais se iniciaram em julho. Em 3 de outubro de 1990, a RDA deixou de existir para integrar, com a República Federal da Alemanha, um único país.

Alemanha na Segunda Guerra Mundial
Na zona ocidental da Alemanha, ocupada por forças americanas, inglesas e francesas, os vencedores se dedicaram em primeiro lugar a extinguir o que restara do nacional-socialismo. Um tribunal especial julgou os principais chefes nazistas, alguns dos quais foram condenados à morte. A indústria bélica foi desmantelada e milhões de alemães, repatriados: da Prússia oriental, ocupada pela União Soviética; da Silésia, da Pomerânia e de outras regiões anexadas pela Polônia; dos Sudetos (Tchecoslováquia) e da Alemanha oriental.

A atitude dos aliados em relação aos inimigos se modificou em 1948, quando se deu o primeiro confronto entre soviéticos, de um lado, e americanos, ingleses e franceses, de outro. Esse conflito precedeu o bloqueio soviético contra a zona aliada de Berlim, que consistiu na interrupção do fornecimento de energia e alimentos. A situação foi resolvida pelos aliados mediante a criação de uma ponte aérea, que possibilitou o abastecimento da população e das tropas de ocupação. Dessa forma, o conflito entre o leste e o oeste provocou a divisão da Alemanha em duas zonas, situação que favoreceu o nascimento das duas repúblicas alemãs.

A Alta Comissão Aliada concedeu poderes a um conselho constituinte para convocar eleições nas três zonas de ocupação dos exércitos americano, britânico e francês, que passariam a integrar a República Federal da Alemanha, proclamada em 23 de maio de 1949. Realizadas as eleições, a presidência da república foi ocupada por Theodor Heuss, que, reeleito em 1954, permaneceria no cargo até 1959. A chefia do estado seria posteriormente exercida por Heinrich Lübke (1959-1969), Gustav Heinemann (1969-1974), Walter Scheel (1974-1979), Karl Carstens (1979-1984) e Richard von Weiszäcker.

Durante os primeiros 14 anos do regime, o cargo de chanceler da república, ou chefe do governo, foi ocupado por Konrad Adenauer, considerado o inspirador do já mencionado "milagre alemão". Esse extraordinário impulso resultou de muitos fatores, entre os quais se podem destacar a renovação da maior parte da infra-estrutura econômica e industrial do país, a ajuda trazida pelo Plano Marshall e por outros créditos americanos e a correta política econômica e social do governo.

A aliança com os Estados Unidos, país com o qual os sucessivos governos sempre mantiveram fortes vínculos, especialmente sólidos durante o período de Adenauer, favoreceu o acesso da RFA aos organismos internacionais, nos quais foi progressivamente consolidando sua posição e seu prestígio. Ludwig Erhard, Kurt Georg Kiesinger, Willy Brandt, Helmut Schmidt e Helmut Kohl foram os sucessores de Adenauer no cargo de chanceler da República Federal da Alemanha.

Em novembro de 1989, ante os acontecimentos que se desenrolavam na RDA, Kohl propôs um plano de reunificação. Em fevereiro de 1990, as duas Alemanhas iniciaram as negociações "dois mais quatro" com as potências vencedoras da segunda guerra mundial. A fusão ocorreu em 3 de outubro. O processo, no entanto, teve um alto custo econômico, que gerou inflação e recessão. Um dos problemas sociais provocados pela reunificação foi a necessidade de estender a toda a população o bem-estar alcançado pelos habitantes do lado ocidental.

Instituições políticas da AlemanhaInstituições políticas da Alemanha

A singular estrutura política da atual República Federal da Alemanha tem origem na Lei Fundamental de Bonn, promulgada em 1949 por um conselho parlamentar constituído por 65 representantes dos Länder. Nela se estabeleceu a divisão do território em dez Länder autônomos, cada um dos quais regido por leis ditadas por seu próprio Parlamento regional. A proposta de tornar Berlim ocidental um Land foi recusada pelas autoridades da ocupação. Em 1990, os 15 distritos da RDA foram redefinidos como cinco novos Länder integrados à RFA. Berlim tornou-se também um Land autônomo que reúne os antigos setores ocidental e oriental da cidade.

O traço que melhor caracteriza a estrutura administrativa da república é a grande descentralização, derivada da divisão territorial em Länder: cada um dos estados tem um Parlamento e um governo, cujo raio de ação se limita a seu próprio território e cujo único vínculo com o governo federal são os membros do Bundesrat (câmara alta), designados pelo governo estadual.

O mais alto cargo da federação é a presidência da república, cujo titular, além de representante supremo da nação, atua como moderador entre os diferentes poderes. De cinco em cinco anos, uma assembleia especial escolhe o presidente, que só pode ser reeleito uma vez.

O Parlamento consta de duas assembleias: o Bundestag (câmara baixa), cujos membros são eleitos por sufrágio universal a cada quatro anos, e o Bundesrat, formado por um número variável (proporcional à população) de membros dos governos de cada um dos estados autônomos. A missão dessa câmara é sancionar ou rejeitar as leis previamente aprovadas pelo Bundestag. Contudo, às vezes se recorre à mediação de uma comissão paritária que permite agilizar os processos legislativos. A câmara baixa ratifica o candidato a chanceler (primeiro-ministro), o qual, designado pelo presidente da república, propõe os membros do gabinete ministerial.

Sociedade AlemãSociedade Alemã

A unificação das duas Alemanhas em 1990 trouxe problemas importantes na esfera social, especialmente quanto à adaptação e à modernização dos serviços proporcionados pelo antigo estado alemão oriental. O mesmo ocorreu com os diferentes legislativos, sobretudo em relação a questões de grande interesse para a população, como a lei de interrupção voluntária da gravidez, que era mais permissiva na Alemanha oriental. Ao longo de 1991, o custo da reunificação foi coberto com um aumento dos impostos na zona ocidental do país, com o fim de recolher fundos suficientes para acelerar o desenvolvimento do leste e aliviar as consequências do desemprego. A integração da zona oriental do país significou também um aumento da mão-de-obra alemã oriental disponível para as poderosas indústrias do lado ocidental, o que provocou restrições maiores na admissão de imigrantes e refugiados políticos de outras nacionalidades.

Como uma das principais potências econômicas do mundo, a Alemanha apresenta altos níveis de qualidade de vida, consumo e benefícios sociais. O sistema previdenciário é muito avançado. O estado dirige a assistência médica e hospitalar, de alta qualidade, e paga pensões e auxílios a aposentados, vítimas de acidentes de trabalho, viúvas, mutilados de guerra, órfãos etc.

A descentralização institucional se manifesta de modo especial no sistema de ensino. Cada um dos Länder autônomos adota seu próprio método educativo, embora exista uma orientação geral à qual se devem adequar os programas de todos os Länder. Os ciclos de ensino superior podem ser cursados em qualquer das universidades, centros politécnicos ou escolas superiores que existem no país. Em muitos desses centros há cursos altamente especializados, que suprem a necessidade de pessoal qualificado que o desenvolvimento industrial do país requer. Os modernos centros educativos, nos quais a pesquisa científica e a tecnologia industrial são objeto de tratamento atualizado e rigoroso, coexistem com algumas das grandes instituições docentes nas quais nasceu e se desenvolveu a cultura germânica. É o caso das universidades de Heidelberg, fundada em 1836; Göttingen, que data de 1737; Leipzig, Jena, Berlim e da politécnica de Dresden. 

Cultura AlemãCultura Alemã

Os governos dos dois estados alemães surgidos depois da segunda guerra mundial, assim como o governo unificado instaurado em 1990, protegeram a herança cultural alemã e estimularam a atividade de seus intelectuais e artistas. Após o colapso acarretado pelo advento do nazismo e pela segunda guerra mundial, a cultura alemã ressurgiu com novo ímpeto e ultrapassou em muitos casos as fronteiras políticas que delimitavam o mundo de língua germânica.

No campo da literatura destacaram-se os romancistas Heinrich Böll, Günther Grass e Martin Walser, renovadores da narrativa alemã; o poeta Paul Celan, os dramaturgos Peter Weiss e Siegfried Lenz e o ensaísta Hans Magnus Enzensberger. Na Alemanha oriental foram importantes Bertolt Brecht, poeta, dramaturgo e romancista, Anna Seghers e Arnold Zweig.

Mereceram citação especial no universo cultural as atividades musicais de toda índole. A tradição alemã de grandes intérpretes e compositores se manteve durante a segunda metade do século XX com figuras como Carl Orff, Hans Werner Henze e Gottfried von Einem, dedicados à música sinfônica, ou Karlheinz Stockhausen, introdutor da música eletrônica. As orquestras conservaram o prestígio de que sempre gozaram, especialmente a Filarmônica de Berlim, a Sinfônica de Bamberg ou a orquestra de câmara de Stuttgart. Entre os regentes de orquestra do século XX salientaram-se figuras como Wilhelm Furtwängler e Herbert von Karajan.

Algumas das Principais Cidades da Alemanha

Berlin
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Frankfurt
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Düsseldorf

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Koblenz
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Luciano Mende