ARGÉLIA, GEOGRAFIA E HISTÓRIA DA ARGÉLIA E ARGEL, A CAPITAL ARGELINA

Argélia, Geografia E História da Argélia e Argel, a Capital ArgelinaArgélia, Geografia E História da Argélia e Argel, a Capital Argelina

A República Democrática e Popular da Argélia limita-se ao norte com o mar Mediterrâneo, a oeste com o Marrocos e o Saara Ocidental, a leste com a Tunísia e a Líbia e ao sul com o Níger, o Mali e a Mauritânia. As fronteiras com a Tunísia e o Marrocos obedecem a razões históricas, mas as meridionais são artificiais e retilíneas. O território tem uma área de 2.381.741km2.

Nove décimos do território da Argélia, o maior país do norte da África, constituem um deserto. No entanto, o petróleo e o gás escondidos sob suas areias trouxeram, na segunda metade do século XX, uma contribuição essencial para a modernização do país, cuja população se concentra na faixa costeira mediterrânea.

Geografia física da Argélia

Distinguem-se no país duas áreas geográficas bem diferenciadas: de um lado a faixa litorânea, que ocupa uma área de aproximadamente 250km de largura entre o Mediterrâneo e o Atlas saariano; de outro, o grande deserto que se estende ao sul dessa cadeia de montanhas, com uma superfície que ultrapassa dois milhões de quilômetros quadrados.

A faixa costeira é percorrida por alinhamentos montanhosos paralelos à costa. As precipitações atmosféricas dessa zona apresentam um máximo hibernal superior a 200mm anuais no planalto interior e a 400mm no litoral, o que permite o crescimento de uma vegetação de tipo mediterrâneo. A parte mais próxima da costa, denominada Tell, é ocupada -- desde a capital, Argel, até a fronteira marroquina -- por grandes plantações de videiras e cítricos, herdadas da época colonial, o que acentua fortemente a semelhança física com a Europa mediterrânea. O Tell ocidental recebe progressivamente menos chuvas, a partir de Argel e em direção ao oeste. Os terrenos costeiros, formados por solos arenosos, são muito apropriados ao cultivo da uva. Paralela à costa, um pouco mais para o interior, estende-se a planície aluvial percorrida pelo rio Chelif, que constitui um corredor natural de penetração para o Marrocos. Do lado sul, fecham a planície os maciços montanhosos dos Uarsenis, limitados na parte meridional por um vasto planalto de mais de mil metros de altitude média, muito pouco povoado, árido e pobre, que se estende numa faixa de aproximadamente 150km de largura até o Atlas saariano, limite do verdadeiro deserto. As depressões apresentam-se cobertas por numerosos chotts, nome dado às extensões salinas muito planas que ocasionalmente, em épocas de chuva, se convertem em lagos salgados.

Mapa da Argélia A leste de Argel, estendendo-se até a fronteira tunisina, fica o Tell oriental, que, muito mais montanhoso que o anterior, conta com as cordilheiras da Grande Cabília e da Pequena Cabília, relevos predominantemente calcários, cujo ponto culminante é o pico Djurdjura (2.308m). As Cabílias central e oriental, em contrapartida, são formadas por relevos cristalinos e vulcânicos. As zonas montanhosas mais próximas do mar recebem precipitações abundantes, superiores a 1.000mm, o que possibilita a existência de uma vegetação de bosques. Nessas regiões, refugiou-se ao longo dos séculos a população berbere, que até tempos recentes manteve sua própria tradição cultural e sua independência política.

Um pouco mais para o interior estendem-se os planaltos da região de Constantine, onde a moderada precipitação ainda permite o cultivo de cereais. Separado desses planaltos por uma região deprimida, pontilhada de chotts, fica o Aurès, maciço montanhoso que constitui outro refúgio berbere.

Ao sul do Atlas saariano e dos montes do Aurès espalha-se o deserto, com precipitações que, em alguns pontos, descem a menos de 20mm de média anual. Nele dominam os grandes planaltos e planícies com dunas de areia (ergs) ou áreas pedregosas (hamadas). No sudeste do território apresentam-se as elevações cristalinas, presididas por formações vulcânicas, do Ahaggar e do Tassili. A vegetação é quase inexistente, a não ser nos oásis que balizam as antigas rotas de caravanas.

Poucos cursos d'água argelinos merecem o nome de rios. Todos descem dos montes que fecham o Tell pelo sul até o vizinho Mediterrâneo, com um regime irregular que exige grandes obras hidráulicas para o aproveitamento de suas águas. O de maior extensão (700km), o rio Chelif, corre ao longo da planície pré-litorânea do Tell ocidental e é o único que se origina nos planaltos do interior. Na vertente sul dos montes do Tell, os cursos d'água, secos durante a maior parte do ano (ueds), infiltram-se no terreno ou alimentam os chotts.

População da Argélia

A distribuição demográfica argelina é muito irregular: cinco por cento da população habita os áridos planaltos ou o Saara, que constituem cerca de noventa por cento da superfície do país. Em contrapartida, o apego dos grupos berberes às terras em que viveram durante milênios levou a população a concentrar-se bastante na Cabília, apesar do terreno acidentado e da escassez de recursos. Também alcançam grandes densidades as zonas próximas à costa, onde dominam as culturas agrícolas mediterrâneas, assim como as grandes áreas urbanas.

População: 37 milhões
Capital: Argel
Hino nacional: Kassaman
Presidente: Abdelaziz Bouteflika
Moeda: Dinar argelino
Governo: Semipresidencialismo, Presidencialismo
Língua oficial: Árabe

Antes da colonização francesa, os núcleos urbanos eram pouco mais que fortalezas turcas. A imigração européia fez crescer rapidamente as cidades, nas quais apareceu o dualismo típico de todo o Maghreb (norte da África): ao lado da casbá, ou cidade velha, praticamente intacta, de ruelas estreitas e tortuosas e densamente habitada pela população nativa, surgiu a cidade européia, de avenidas amplas e arborizadas, traçado retilíneo, semelhante ao dos modernos bairros das cidades mediterrâneas da França. Depois da independência, os autóctones se deslocaram em grande medida para os bairros europeus, abandonados pelos anteriores habitantes. Entretanto, a imigração interna, do campo para a cidade, compensou amplamente o êxodo da maior parte dos europeus.

A grande maioria dos argelinos é árabe (mais de oitenta por cento), mas existe uma importante minoria berbere, concentrada em seus tradicionais encraves montanhosos, além de um pequeno grupo de franceses. O idioma oficial é o árabe, embora seja bem difundida a língua francesa. O islamismo, religião oficial, coexiste com as exíguas minorias católica e judaica.

Argel, a capital Argelina
Argel, a capital Argelina

Argel, a capital, é a cidade mais populosa. São também importantes Oran, Constantine, Annaba e Batna. 

Economia da Argélia

A agricultura argelina foi condicionada pelo sistema colonial, que favoreceu a criação, nas terras mais férteis, de grandes propriedades agrícolas concentradas em mãos de europeus, cuja produção (hortaliças, cítricos, azeitonas e, sobretudo, uvas) se destinava à exportação para a metrópole. A reforma agrária e o êxodo dos técnicos europeus provocaram uma crise na produtividade agrícola, de modo que o país, com uma população em rápido crescimento, deixou de ser auto-suficiente e precisou incrementar progressivamente as importações de produtos alimentícios, sobretudo cereais. A pecuária é importante apenas no caso de ovinos e caprinos, mas os sistemas de criação são antiquados. Tem algum relevo a pesca da sardinha, da cavala e do atum nas águas do Mediterrâneo.

A indústria, muito fraca na época colonial, recebeu forte impulso por parte dos poderes públicos. Isso foi possível graças aos acordos de cooperação com a França, o Reino Unido e o Fundo Monetário Internacional, assim como aos capitais gerados pela exportação de petróleo e gás natural, produtos que são conduzidos das jazidas no Saara até o litoral através de uma complexa rede de oleodutos e gasodutos. A exploração dos hidrocarbonetos saarianos, rapidamente desenvolvida a partir da década de 1960, colocou a Argélia no grupo dos principais produtores mundiais. Ao lado das refinarias de petróleo e das usinas de liquefação de gás natural, instaladas nas proximidades dos portos do Mediterrâneo, desenvolveu-se uma indústria química e metalúrgica que busca aproveitar as próprias riquezas do país (jazidas de ferro, chumbo, zinco, cobre e fosfatos).

Promovido pelo governo, o turismo representa importante fonte de renda para a economia nacional, cujo comércio exterior se baseia principalmente na exportação de hidrocarbonetos. As comunicações terrestres, por rodovias e, em menor medida, por ferrovias, ligam as diferentes regiões do país, sobretudo as cidades industriais da faixa setentrional e as jazidas de petróleo e gás natural do Saara. Argel, Oran e Annaba são os portos marítimos mais importantes e também contam com aeroportos internacionais. 

História da Argélia

Os berberes, habitantes autóctones da Argélia, sempre resistiram às sucessivas invasões de seu território por outros povos. A partir do século XII a.C., navegadores fenícios estabeleceram feitorias na costa argelina. No século VIII a.C., a vizinha Cartago subjugou as tribos berberes do litoral, e esse domínio durou até a vitória final de Roma nas guerras púnicas. O território conheceu um período de grande prosperidade sob a dominação romana, época em que se ampliaram as culturas agrícolas e se fizeram muitas obras públicas. As províncias romanas da Numídia e da Mauritânia, correspondentes à atual Argélia, povoaram-se com numerosos imigrantes e soldados veteranos que contribuíram para romanizar a região. A difusão do cristianismo se caracterizou pelo desenvolvimento da doutrina donatista, que dividiu a igreja norte-africana durante o século IV da era cristã. A decadência do império se consumou na Argélia com a invasão dos vândalos no ano 429. Depois de um breve domínio bizantino na região oriental do país, na segunda metade do século VII, todo o norte da África sucumbiu às invasões dos árabes. Contudo, a resistência das tribos berberes do interior, sobre as quais a dominação romana também não se havia consolidado, prolongou-se durante vários séculos. Almorávidas e almôadas, nos séculos XI, XII e XIII, integraram a maior parte do território argelino a seus impérios.

No século XVI a esquadra espanhola se apoderou de alguns encraves costeiros, chegando a ameaçar a cidade de Argel, que pediu apoio aos irmãos Barba-Roxa. Estes poderosos corsários turcos expulsaram os europeus e conseguiram certa unidade territorial. Durante séculos, o corso argelino, com a soberania formal do imperador otomano, exerceu seu poder sobre o Mediterrâneo ocidental, enquanto as terras do interior continuaram desfrutando de sua secular autonomia.

Conquista francesa

A partir de 1830, a expansão colonial européia se voltou para a Argélia. Nesse ano, um corpo expedicionário francês ocupou as principais cidades da costa, embora o interior permanecesse rebelde ao domínio europeu. Apenas em 1847, com a rendição do emir de Mascara, Abd al-Kader, se pôde considerar assegurado o domínio francês sobre o território. A resistência dos povos da Cabília e das tribos do sul foi vencida em 1857, e em 1871 sufocou-se a última insurreição, dirigida por Mokrani.

A colonização francesa estimulou a chegada de um grande contingente de imigrantes franceses, espanhóis e italianos, que passaram a constituir uma casta dominante, embora, na aparência, o governo francês procurasse a igualdade entre europeus e nativos. Os primeiros ensaios de recuperação da soberania foram, paradoxalmente, liderados pela burguesia nativa mais europeizada. Na primeira metade do século XX  surgiram diversos movimentos e grupos que fracassaram em suas tentativas de conseguir a igualdade jurídica e a cidadania francesa.

Durante a segunda guerra mundial a Argélia foi sede do governo provisório francês, que em 1944 prometeu conceder um estatuto especial para a colônia. O descumprimento da promessa deu novo impulso ao movimento nacionalista e, em 1954, criou-se a Frente de Libertação Nacional (FLN), que conseguiu unificar as forças opostas à colonização estrangeira.

Independência da Argélia

Nesse mesmo ano iniciou-se a luta armada pela independência, com uma campanha de atos terroristas em diversos pontos do país. A reação francesa não se fez esperar, e em 1958 os efetivos do exército colonial na Argélia chegavam a 500.000 soldados. A crise argelina provocou, na França, a ascensão ao poder de Charles de Gaulle, que empreendeu uma política de desenvolvimento econômico e social na Argélia.

O descontentamento dos colonos europeus com as medidas conciliadoras do governo culminou em abril de 1961, com a formação de uma junta militar que tentou tomar o poder em Argel. As negociações continuaram, apesar do terrorismo dos grupos paramilitares franceses, e em 1º de julho de 1961 realizou-se um plebiscito pelo qual o país escolheu a autodeterminação. Dois dias depois, declarou-se formalmente a independência da Argélia.

O primeiro presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella, foi derrubado por um golpe de estado em 1965. O coronel Houari Boumedienne tomou o poder, que exerceu até a morte, em dezembro de 1978. Durante seu mandato foram socializados importantes setores da economia nacional, e a Argélia tornou-se membro destacado do movimento de países não-alinhados e das organizações pan-árabes. Chadli Bendjedid, eleito presidente da república em 1979 e reeleito em 1984, continuou em linhas gerais a política de seu predecessor, embora com matiz mais liberal, tanto no aspecto econômico quanto no político.

Instituições políticas da Argélia

Segundo a constituição de 1976, reformada em 1979, a Argélia é uma república socialista na qual o partido único, a FLN, dirige o estado e controla o governo e a Assembléia Popular Nacional. A constituição consagra como oficiais a religião islâmica e a língua árabe e a solidariedade com as nações do Maghreb e da África, além dos direitos individuais e sociais, as garantias jurídicas e o asilo político.

Sociedade e cultura Argelina

A Argélia conheceu um período de esplendor cultural na época do domínio almôada, nos séculos XII e XIII, que coincidiu com o apogeu da civilização andaluza. A influência berbere se manifestou sobretudo no campo da literatura, em que se destacaram os poetas al-Qalami (século XII) e Ibn al-Qafun. Mais tarde continuou-se a cultivar as ciências e os estudos de teologia, história e direito, até que, com o início da colonização francesa em 1830, a cultura argelina se foi assimilando progressivamente à da metrópole. O árabe se manteve como língua literária na obra de alguns autores nativos, como os dramaturgos Ksentini e Mahiedine, além do poeta Mohamed al-Id, e ganhou novo impulso depois da independência, embora o francês continuasse a ser amplamente utilizado.

Depois de 1830 as antigas universidades islâmicas cederam lugar ao sistema de ensino colonial. No fim do século XIX estabeleceu-se a escolaridade obrigatória, criaram-se os liceus franco-muçulmanos e fundou-se a Universidade de Argel. Em 1940 iniciou-se uma política de escolarização conjunta de crianças francesas e muçulmanas, mas a assistência escolar a estas últimas continuou sendo muito baixa até depois da revolução. 

A partir de 1962 os programas educativos do governo se orientaram para a reforma e a modernização do ensino, seguindo pressupostos teóricos baseados no socialismo, na democratização e na arabização da escola. Desta forma, criaram-se novas escolas nas zonas rurais e fez-se um grande esforço para conseguir a plena alfabetização e escolarização da população infantil. O ensino técnico e superior é ministrado em escolas superiores e na Universidade de Argel.

Argel, Capital da Argélia

ARGEL - CAPITAL DA ARGÉLIA
ARGEL - CAPITAL DA ARGÉLIA
ARGEL - CAPITAL DA ARGÉLIA
ARGEL - CAPITAL DA ARGÉLIA
ARGEL - CAPITAL DA ARGÉLIA

Argel

Argel, capital e principal porto desse país, ergue-se sobre um promontório, na baía do mesmo nome. Na antiguidade o lugar foi ocupado por uma feitoria cartaginesa que, durante o domínio romano, era conhecida como Icosium. As posteriores invasões de vândalos e árabes destruíram a cidade, que no século X foi reconstruída pela dinastia fatímida e rebatizada com o nome de Argel. Incorporada em 1518 ao império turco otomano, ao longo do século XVI sofreu vários assédios por parte da esquadra espanhola, que pretendia acabar com a pirataria berbere. Em 1830 os franceses ocuparam o país e transformaram Argel num dos principais centros econômicos e administrativos de seu império colonial.

A cidade onde Miguel de Cervantes esteve em cativeiro chegou a ser capital provisória da França durante a segunda guerra mundial, antes da independência da Argélia.

Durante o domínio francês, a antiga casbá ou alcáçova (fortaleza) turca foi rodeada pela moderna cidade europeia, que se espalhou entre a baía e as colinas circundantes. A atividade financeira e a exportação de vinhos através de seu porto incrementaram a importância econômica da cidade a partir de 1880. Na segunda guerra mundial as forças aliadas se estabeleceram em Argel, que entre junho de 1943 e agosto de 1944 foi sede do governo da França livre.

Na década de 1950, com o início do levante argelino contra a colonização francesa, Argel tornou-se o centro do movimento de libertação. Os choques entre os rebeldes e o exército francês duraram até 1962, quando a cidade passou a ser capital da Argélia independente. Depois disso, Argel manteve sua força como porto exportador de vinhos, cereais, cortiça e minerais e importador de produtos químicos e minerais. Suas principais indústrias são a mecânica, a química e a de transformação de produtos agrícolas.

Argel liga-se por terra com o resto do país e conta com um aeroporto. O conjunto arquitetônico da casbá contém diversas mesquitas e edifícios históricos.

LUCIANO MENDE Farias