Zâmbia, História e Geografia de Zâmbia

Zâmbia, História e Geografia de Zâmbia

ZÂMBIA, HISTÓRIA E GEOGRAFIA DE ZÂMBIAÁrea: 752.614 km².
Capital: Lusaka.
População: 11,9milhões (2016

Situada no centro-sul da África, a Zâmbia abriga as famosas cataratas de Vitória (Victoria Falls), que formam uma cortina de água de cerca de 90 metros de altura, no rio Zambezi, na divisa com o Zimbábue. A maior parte de seu território é coberta por savanas. Parques nacionais abrigam grande variedade de animais, sobretudo nas proximidades dos rios Luangwa e Kafue. Um planalto predomina na porção leste e atinge o ponto mais alto no altiplano Nyika. A população, composta de cerca de 70 etnias, concentra-se ao norte da capital, Lusaka, nas regiões de extração de cobre, o principal item de exportações do país. Há também importantes reservas de cobalto. A agricultura ocupa quase 70% da força de trabalho.

História de Zâmbia

Habitada desde os tempos pré-históricos, a região do vale do rio Zambezi começa a receber influência ocidental em meados do século XIX, com a chegada de missionários e exploradores britânicos, como David Livingstone e Cecil Rhodes. Nos séculos anteriores, há registros de contato com europeus e árabes. No fim da década de 1880, Rhodes obtém licença para a exploração mineral no território, onde são fundadas posteriormente as colônias britânicas da Rodésia do Norte (atual Zâmbia) e da Rodésia do Sul (atual Zimbábue). A Rodésia do Norte é administrada pela Companhia Britânica da África do Sul até 1924, quando passa ao domínio do Reino Unido. Colonos britânicos instalam-se no período anterior à II Guerra Mundial. Em 1953, as duas Rodésias fundem-se com a colônia britânica de Niassalândia (atual Malauí) e formam a Federação da Rodésia e de Niassa, sob tutela britânica e em regime de segregação racial (apartheid). A federação dissolve-se em 1963.

Bandeira de Zâmbia
Independência – Em 1964, a Rodésia do Norte torna-se independente com o nome de Zâmbia, sob a Presidência de Kenneth Kaunda, do Partido da União Nacional da Independência (Unip, partido único). Kaunda convence os colonos brancos a não emigrarem, como ocorreu na maior parte das ex-colônias européias na África. Em 1973, o país fecha as fronteiras com a Rodésia do Sul, em protesto contra o regime racista de Ian Smith. No começo da década de 1980, uma série de protestos abala o governo de Kaunda, que, no entanto, consegue se manter na Presidência até 1991.

Democratização – No fim dos anos 1980, o governo aceita o pluripartidarismo. As eleições de 1991 dão a vitória ao Movimento pela Democracia Multipartidária (MMD), e seu líder, Frederick Chiluba, assume a Presidência. Um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 1993, leva à privatização de estatais – notadamente no setor do cobre – e provoca aumento do desemprego e da insatisfação popular. Em 1996, Chiluba emenda a Constituição para impedir a candidatura presidencial de Kaunda. Em novembro, Chiluba é reeleito. No ano seguinte, Kaunda é preso, acusado de tentativa de golpe de Estado.

Kaunda perseguido – Em março de 1999, a Suprema Corte retira a cidadania do ex-presidente Kaunda e o considera apátrida. Ele apela da sentença e horas depois escapa de um atentado, quando um grupo abre fogo contra seu carro. Em novembro, seu filho Wezi Kaunda é morto a tiros em frente de casa. Para a polícia, foi uma tentativa de seqüestro, mas a oposição acredita em crime político.

Lusaka, Capital de ZâmbiaAids e refugiados – A empresa Minas de Cobre da Zâmbia é privatizada em 2000, e o FMI anuncia que o país já pode entrar no programa de perdão parcial da dívida. No mesmo ano, um estudo revela que cerca de 1 milhão de zambianos estão infectados pelo vírus da aids. Entre 1996 e 1999, 650 mil pessoas morrem de aids na Zâmbia. No mesmo período, o país enfrenta o drama de abrigar mais de 200 mil refugiados das guerras civis nas vizinhas Angola e República Democrática do Congo.

No início de 2001, Chiluba fracassa ao tentar mudar a Constituição para concorrer ao terceiro mandato. No fim do ano, ocorrem as eleições presidenciais mais disputadas da história da Zâmbia, vencidas por estreita margem pelo candidato governista, o advogado Levy Mwanawasa (MMD), com 29,1% dos votos, batendo o empresário Anderson Mazoka, do partido Unido pelo Desenvolvimento Nacional (UPND), com 27,2%. A oposição denuncia fraudes. O MMD conquista 69 das 150 cadeiras em disputa na Assembléia Nacional, mais as oito indicadas pelo presidente. O maior partido de oposição é o UPND, com 49 deputados.

Acusações a Chiluba – Mwanawasa assume e abre uma campanha contra a corrupção, que acaba atingindo vários nomes da cúpula do MMD. Em 2002, o Legislativo suspende a imunidade do ex-presidente Chiluba. Ele é acusado de desviar, com auxiliares, pelo menos 30 milhões de dólares em recursos públicos durante seu governo. Chiluba recebe duas ordens de prisão em 2003, mas fica em liberdade após pagar fiança. Em dezembro, começa seu julgamento. Em setembro de 2004, a Justiça anula todas as 80 acusações de corrupção contra o ex-presidente. Horas depois, porém, Chiluba é preso por seis novas acusações feitas pela promotoria. Números divulgados em 2004 mostram a evolução do grave drama da aids na Zâmbia: estão contaminados com o vírus HIV 14% da população (16,5% dos adultos), e há 630 mil crianças órfãs por causa da doença.

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LUCIANO MENDE Farias